Tia conta que mulher acorrentada em rio era perseguida em Xanxerê: “psicopata”

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Simone da Rocha Silveira, de 29 anos, já tinha receio do que pudesse acontecer com ela. Em conversa com uma tia, a mulher relatou o medo que sentia do ex-companheiro, que é principal suspeito do crime. Ela foi encontrada morta acorrentada a peças de carro em um rio, e ele se suicidou com um tiro na cabeça.

Jovem de 29 anos morava em Xanxerê – Foto: Reprodução/ND

O corpo de Simone foi localizado boiando no rio Irani, em Xanxerê, na quarta-feira (11), depois do desaparecimento dela desde terça-feira (4). A polícia investiga o caso como feminicídio.

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Perseguição

“Ele ia à casa dela, perseguia ela de carro. (…) Quando ela foi na casa dos pais dela, disse que estava sendo ameaçada por ele e que tinha muito medo, mas não queria envolver a família”, diz a tia da mulher, Maria Salete da Rocha, de 48 anos.

Incrédula do crime, a tia comenta que Simone teve um caso amoroso com o empresário por pouco tempo. O período foi marcado por discussões. Eles tinham se afastado, mas recentemente voltaram a conversar.

“Ele queria que ela se casasse com ele e fossem morar juntos, mas ela queria uma vida livre, porque já tinha vivido com outro homem por 10 anos”, lembra Maria Salete, que disse também ter sido perseguida pelo homem.

Desde o fim do antigo relacionamento, Simone enfrentava crises de depressão e tomava medicamento. A doença desencadeou logo que ela perdeu a guarda da filha adotiva, de 5 anos, em Curitiba (PR).

Após contato com o Conselho Tutelar de Curitiba, Simone viajaria para a cidade nessa quinta-feira (12), com objetivo de encontrar a criança.

Quem era Simone

Mulher foi encontrada acorrentada no rio Irani – Foto: Reprodução/ND

Emocionada, a tia conta a dificuldade para digerir e entender a morte cruel da sobrinha. Maria lembra que ela era uma pessoa carinhosa e adorada pela família.

“Era uma pessoa muito querida, calma, meiga, transmitia muito amor para nós. Era carente, onde encontrava uma pessoa que desse carinho, ela se apegava”, relata.

Simone chegou a cursar Direito, mas trancou a matrícula. Atualmente ela trabalhava como autônoma, vendendo roupas e perfumes em Xanxerê. Ela morava sozinha em uma quitinete no bairro João Winckler.

A mulher teve o primeiro relacionamento aos 14 anos, com quem permaneceu 10 anos e adotou a filha com três meses. Após o fim do casamento, Simone se mudou para Xanxerê, onde morava há cinco anos.

Segundo Maria, a sobrinha conheceu o suspeito do crime quando trabalhava de secretária no escritório da empresa dele, uma mecânica.

Desaparecimento preocupou a família

O desaparecimento de Simone foi notado por causa das redes sociais dela, especialmente no WhatsApp, pois ela visualizou pela última vez o aplicativo na terça-feira, às 12h15.

“Ela gostava muito de bolinho e minha prima postou foto no grupo da família, mas ela não falou nada. Ela também gostava de sopa, coloquei no grupo, mas ela também não se manifestou”, relatou a tia.

O desaparecimento de Simone foi registrado por Maria Salete em um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de Xanxerê, na quarta-feira (5).

Uma prima de Simone esteve na casa dela e constatou que todos os pertences pessoais permaneciam no local, até mesmo o veículo dela, fato que aumentou a preocupação dos familiares.

“Ela teve um caso com ele, aí ele aprontou algumas coisas. Ela disse que não tinha mais contato com ele, que era tão psicopata que seguia até a mim”, disse a tia.

Simone apareceu machucada

A tia de Simone diz que os pais dela, que moram em Palmas (PR), estão consternados com a morte brutal. “Estão em choque, não se conformam”, conta. Ela acredita que trata-se de feminicídio cometido pelo ex-namorado.

“Imagino que, por ela não querer manter um relacionamento, ele deve ter matado e jogado no rio e depois se suicidou, pois se arrependeu”, comenta Maria.

A mulher, conforme a tia, constantemente aparecia com marcas roxas pelo corpo. “Um dia ela chegou e eu disse: meu Deus, andou apanhando? Aí ela me disse: não, eu me bati. Era uns roxos no braço”, concluiu Maria.

Localização do corpo e investigação 

O corpo foi encontrado no rio Irani, entre Xanxerê e Xavantina. A mulher estava com uma corrente, um cadeado e peças de carro amarrados em volta do pescoço.

Segundo o delegado Albino Souza de Araújo, responsável pela investigação, o corpo foi levado ao IML (Instituto Médico Legal) para exames cadavéricos, contudo, não há dúvida sobre a identidade da vítima.

“Como o corpo ainda não estava em estado de decomposição, foi possível fazer o reconhecimento físico-visual. Não há dúvidas de que se trata do corpo de Simone Rocha”, comentou o delegado.

Três bombeiros e três agentes da Polícia Civil atuaram nas buscas pelo corpo – Foto: Corpo de Bombeiros/Divulgação/ND

O corpo estava boiando no leito do rio Irani, dois quilômetros distante de um condomínio residencial. Foi removido para as margens do lago para os procedimentos legais.

“Ao retirá-la da água notamos que ela estava com correntes e peças de carro que faziam com que ela ficasse com parte do corpo submerso neste local”, destacou o capitão dos Bombeiros, Nolan Rafael Volkweis.

Para a polícia, o principal suspeito do crime é o empresário com quem ela manteve um relacionamento.

“Temos uma série de informações que foram colhidas neste período em que a vítima ficou desaparecida, então daremos continuidade nas investigações”, comentou o delegado.

A polícia aguarda o laudo do IML que deve apontar a causa da morte. Para o delegado, a morte está ligada ao relacionamento e considera a possibilidade de feminicídio.

“Essa é a principal linha de investigação. Temos inúmeros indícios quanto ao suicídio e ao desaparecimento da vítima. É fato que Simone teve um caso amoroso com este homem, uma questão mal resolvida”, finalizou Albino.

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