Totens que ‘apareceram’ em Florianópolis: entenda o que são e como funcionam

A aparição de totens com o logo da Polícia Militar na região de Jurerê e Jurerê Internacional, no Norte da Ilha, despertou curiosidade na população. A reportagem do ND foi atrás para descobrir para que as estruturas servem e como funcionam.

Totem em Jurerê – Foto: Urbanii/Divulgação/ND

De acordo com o CEO da Urbanii Tecnologia – empresa que fabrica os totens -, Rubem Henrique, a empresa tem um programa de urbanidade que é repassado a associações de moradores de bairros. A proposta principal é a preservação dos espaços públicos.

“Faço um convênio com essas associações, entrego as tecnologias, aplicativos, plataforma e um conjunto de soluções. A associação concorda em apoiar e divulgar nossos patrocinadores”, explica Henrique.

Ideia é bairro virar “condomínio”

Ainda segundo o CEO, o objetivo da implantação do programa é transformar o bairro em uma espécie de “condomínio”, porém “sem a cobrança de taxa”. Além de moradores, comerciantes dos bairros também participam dos processos.

É feito um estudo sobre a estrutura do bairro. O primeiro é o guia de urbanidade, o segundo a segurança, além da parte administrativa e a ficha técnica de como tudo funciona no local.

Os totens ativos em Florianópolis

Hoje existem três totens em Florianópolis. Um em frente a um supermercado na rodovia Maurício Sirotsky Sobrinho, em Jurerê, outro na Alameda César Nascimento, também em Jurerê, e um terceiro na rua dos Robaletes, em Jurerê Internacional.

Os de Jurerê Tradicional foram instalados pela Adecom (Associações para Desenvolvimento Comunitário de Jurerê), enquanto o de Jurerê Internacional, os moradores da região acabaram procurando a empresa para a instalação do equipamento. A principal reclamação era a perturbação do sossego.

Segundo Henrique, o objetivo é que a região de Jurerê tenha até 42 totens.

Novos totens na cidade

Um outro totem deve ser instalado em breve no bairro João Paulo, pela Ampsol (Associação de Moradores Por do Sol II).

Há também a previsão de que cinco estruturas sejam colocadas na Avenida Beira-Mar Norte, três no Morro das Pedras, no Sul da Ilha, e uma no centro do bairro Ingleses, com apoio do comércio local. A previsão é que até janeiro de 2020 os equipamentos já estejam instalados.

Segundo o CEO, há totens em outras cidades do Estado: Penha, Piçarras (em processo de instalação), Joinville, Navegantes e São José.

Quem comanda a infraestrutura, tubulação, base concreta e energia elétrica para instalação é o Diope (Operação do Sistema Viário de Florianópolis).

PM acompanha a instalação do totem no Norte da Ilha – Foto: Urbanii/Divulgação/ND

Para que os aparelhos tenham câmeras, segundo o CEO, há um convênio com a Secretaria de Segurança Pública do Estado. As câmeras registram placas de carros que entram no bairro, além dos rostos das pessoas.

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O que diz a Secretaria de Segurança Pública do Estado

A reportagem do ND entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina, que confirmou o convênio com a empresa.

De acordo com o major Ricardo Sartori, no início de 2018, na época da passagem de governo de Raimundo Colombo para Eduardo Moreira, foi lançado um chamamento público que consiste na secretaria divulgar e receber parceiros para compartilhamento de imagens.

A empresa Urbanii entrou como um dos parceiros, assinou o contrato e, com base nele, passou a atuar.

“É como se fosse uma licitação, mas sem custos”, explica o major. “Ela acerta com os comandos locais das policiais Militar e Civil e encaminha as imagens à secretaria”, completa.

A parceria inclui também o acesso às câmeras de monitoramento dos comércios locais. Ou seja, as associações e comerciantes conveniados podem ver as imagens destas câmeras particulares pelo aplicativo da empresa. Isso não se aplica aos totens, cujas imagens são de exclusividade da polícia.

Como funcionam os totens

O totem tem equipamentos próprios, processo de fabricação e entrega. O custo é estimado em R$ 25 mil. O grupo de patrocinadores da empresa paga os equipamentos e explora comercialmente ao expor a marca no aparelho, no aplicativo e em ações comunitárias.

Após o aparelho estar pronto, é entregue à associação de moradores. Eles são instalados e os custos de internet e energia são bancados pela própria associação.

As imagens das câmeras dos totens são direcionadas ao 21° Batalhão da Polícia Militar, no Norte da Ilha, que faz o monitoramento 24 horas por dia.

Conforme a PM, há intenção de futuramente adicionar uma nova funcionalidade ao totem, o botão do pânico.

Em casos de emergência, o solicitante poderá conversar diretamente com o observatório comunitário do batalhão. Ainda não há prazo para o projeto.

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