Traficantes de mulheres usam redes sociais para aliciar jovens, diz polícia

Atualizado

Uma garota de 16 anos conseguiu escapar do cativeiro no qual era mantida na zona norte de São Paulo e vigiada por um homem que a obrigava a se prostituir. As informações são de César Sacheto, do Portal R7.

Nesta terça-feira (18), a jovem aproveitou uma distração do aliciador, correu para uma estação do metrô nas proximidades e pediu ajuda a populares. Ela foi orientada a procurar a Delpom (Delegacia de Polícia do Metropolitano).

Jovens eram mantidas como reféns e obrigadas a se prostituir, em SP – Foto: Pixabay

A Polícia Civil foi acionada, o sequestrador foi preso e mais duas jovens — outra adolescente de 16 anos e uma jovem, de 19 — foram libertadas.

A menina de São João Nepomuceno (MG) foi seduzida com a promessa de emprego bem-remunerado no comércio paulistano, feita por um traficante de mulheres por meio das redes sociais.

O homem se ofereceu para pagar a passagem até a capital paulista, e a mineira aceitou, iludida pelo sonho de começar uma vida na metrópole.

Ao chegar em São Paulo, a adolescente foi estuprada e forçada a fazer programas.

De acordo com o delegado Luis Renato Mendonça Davini, chefe da 1ª Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Liberdade Individual do DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa), o aliciamento iniciava-se através do Facebook.

“Ele conseguia a amizade das vítimas, oferecia um emprego em São Paulo, custeava a passagem, alojava as vítimas na própria residência e depois anunciava que iriam se prostituir”.

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Caso se recusassem, as vítimas eram ameaçadas pelo criminoso. “Ele tinha informações do histórico dessas garotas”, completou o policial.

Conforme o delegado Luís Davini, não havia trabalho por servidão, mas o aliciador se apropriava de todo o dinheiro arrecadado com a prostituição.

As jovens eram levadas para as imediações de um hotel no bairro da Liberdade, região central da cidade, onde esperavam pela abordagem de clientes.

O policial faz um alerta para que crianças, adolescentes e mulheres em busca de uma vida nova em um grande centro urbano não sejam enganadas por integrantes de quadrilhas especializadas em tráfico de pessoas para exploração sexual ou outros fins.

“A questão principal é você não acreditar muito em propostas fáceis e buscar informações [sobre a oferta de trabalho] para se certificar [da veracidade].

Quem esteja fazendo a proposta seja uma empresa de renome, verificar [o perfil] nas redes sociais.

O jovem tem muito acesso à rede social. Tem que pegar essa habilidade e fazer disso a própria defesa”, enfatizou o policial.

Outras vítimas

Segundo a investigação, o aliciador, de 34 anos, que não teve a identidade revelada, agia sozinho. Ele mantinha uma das jovens resgatadas como refém havia oito meses.

A polícia acredita que outras três mulheres tenham sido vítimas do mesmo suspeito — que já possuía passagem anterior por receptação de produtos roubados —, que foi autuado por tráfico de pessoas com viés de exploração sexual, corrupção de menores e estupro consumado.

O proprietário do hotel utilizado pelas jovens para fazer os programas foi identificado e deverá responder inquérito por rufianismo (crime no qual o acusado tira proveito da prostituição alheia).

Após a libertação, as adolescentes foram encaminhadas para o Conselho Tutelar.

Todas passaram por exames médicos no Hospital Pérola Byington, centro de referência em saúde feminina.

Polícia