Tráfico de pessoas é discutido em região de fronteira de SC

Atualizado

Entre os dias 19 e 23 de agosto, três cidades do Oeste de Santa Catarina recebem o Seminário da Rede de Proteção Migrantes e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas.

Com encontros marcados em Chapecó, São Miguel do Oeste e Concórdia, órgãos federais, estaduais e municipais irão debater formas de combater as violações dos direitos humanos nas regiões que fazem fronteira com outros países.

Tráfico de pessoas – Marcello Jr/Agência Brasil/Arquivo/ND

No encontro, PRF (Polícia Rodoviária Federal), SDC (Secretaria de Desenvolvimento Social do do Estado) e outras instituições irão capacitar a rede de enfrentamento ao tráfico humano, que atua com grupos vulneráveis, entre eles, imigrantes.

Além disso, conforme a diretora de direitos humanos da SDC, Karina Gonçalves Eusébio, haverá oficinas temáticas sobre a regularização de pessoas em localidades de potencial vulnerabilidade.

“Vamos capacitar as pessoas que atendem todos os dias as possíveis vítimas de tráfico. Não basta o governo cobrar dos municípios dados e um trabalho com foco se não treinarmos os profissionais”, disse.

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De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Humanos na PRF, Arthur Luba, a iniciativa busca também criar metodologias para ampliar a base de dados sobre vítimas de tráfico no Estado.

“Não temos muitas informações sobre as vítimas ainda. Por isso, esse esforço de criar metodologia com as pessoas que trabalham com casos reais. A nossa ideia é também fazer ações preventivas e capacitações. Os dados começam a surgir aí”, afirmou.

Além da PRF e governo estadual, MPT (Ministério Público do Trabalho), MPF, (Ministério Público Federal), OIM (Organização Internacional de Migração), PF (Polícia Federal), DPU (Defensoria Pública da União), UFSS (Universidade Federal Fronteira Sul), IFSC (Instituto Federal de SC), Univali (Universidade do Vale do Itajaí), DPE (Defensoria Pública do Estado), SSP (Secretaria de Segurança Pública), prefeituras dos municípios da região, Serviço Pastoral do Migrante, sociedade civil, estudantes e imigrantes participam do encontro.

Terceira atividade mais lucrativa do mundo

Silencioso, o tráfico humano é considerado a terceira atividade mais lucrativa do mundo e, em grande maioria, faz mulheres jovens vítimas de exploração sexual. A retirada de órgãos, o trabalho em condições análogas à escravidão e outras formas de violência também configuram o crime.

Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), o tráfico de pessoas movimenta anualmente 32 bilhões de dólares em todo mundo. Desse valor, 85% é vindo através da exploração sexual. No Brasil, apesar da base de dados enfraquecida, a Justiça Federal afirmou que foram 159 casos de tráfico de seres humanos registrados em 2018.

Proximidade com a fronteira levanta alerta das autoridades

Informalmente, a áreas próximas à fronteira são consideradas mais propensas para a rota de tráfico de pessoas, já que são regiões mais isoladas e com facilidade de migração.

Em 2013, um estudo feito pela SNJ/MJ (Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça) revelou que é entre os países que as modalidades mais comuns do crime – tráfico sexual e trabalho escravo -, acontecem sem que as autoridades percebam.

“O tráfico de pessoas é um crime muito difícil de ser visto. A sociedade não fala sobre e não debatemos. Outra coisa; o tráfico humano acaba sendo parte de outro crime, muitas vezes sexual contra garotas, aí fica muito mais difícil de combater”, afirmou Luba.

No último sábado (3), um homem que não teve a identificação divulgada foi detido em Barra Velha, no Norte do Estado, pelo crime de tráfico de pessoas. De acordo com a PRF, ele conduzia uma adolescente mediante “artifício ardiloso” para o Paraguai.

Homem é preso por tráfico de pessoas no Norte de SC – PRF/Divulgação/ND

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