Três meses após a reinauguração, Mercado Público de Florianópolis tem 92% de comércios abertos

Confira ainda a programação do Mercado Público para o feriadão

Três meses após a reinauguração do Mercado Público de Florianópolis, quase todos os boxes estão de portas abertas. Dos 104 comércios ocupados, 96 estão em funcionamento e oito devem abrir nas próximas semanas, ou seja, 92%. De acordo com Aldonei Brito, presidente da Associação de Comerciantes do Novo Mercado Público, o objetivo é que, antes de começar a temporada de verão, todos os boxes estejam em funcionamento. A expectativa dos comerciantes é de grande movimento com a chegada dos turistas para a temporada de verão.

Flávio Tin/ND

Artur Marques (à dir.) aposta na chegada dos turistas para lotar o Mercado Público

Nas últimas semanas, os comércios que estavam fechados na reinauguração, no dia 5 de agosto, começaram aos poucos a abrir as portas. É o caso do Trapiche Bar, tradicional comércio do Mercado, que reabriu no dia 19 de outubro; o novato Quiosque Chopp Brahma, aberto em 3 de setembro; e o Laticínios Guimarães, aberto há cerca de um mês.

Renato dos Santos, 49 anos, dono do Trapiche Bar, aposta em 72 opções de cachaças, com petiscos e frutos do mar. “Agora está tudo novo, nada de velho. Só está faltando a cobertura do vão central para ficar melhor”, diz.

Artur Marques, 35, do Quiosque Chopp Brahma, tem o chope como carro-chefe, mas também apresenta pratos regionais no cardápio. “Estamos agora na expectativa do verão, pois com a alta do dólar a aposta é nos turistas para lotar o Mercado”, afirma.

Outra novidade é a sede do Caisc (Casa dos Açores da Ilha de Santa Catarina), aberta na última semana. No box 19 da ala sul, o artesanato local ganha destaque com quadros, cerâmicas, pinturas, tecidos, rendas e teares. “Trabalhamos com a herança açoriana e aqui é o melhor lugar para expor isso, para o artesão mostrar seu trabalho”, diz o artesão Paulo Villalva, 63.

Para os turistas, o box 79 do CAT (Centro de Atendimento ao Turista), na ala norte, inaugurou uma mesa interativa, que mostra o top 10 dos locais e praias para serem visitados em Florianópolis. Turista de Belém (PA), a pedagoga Alessandra Roial, 27, passou sete dias na cidade e fez questão visitar o Mercado e conhecer a novidade no CAT. “Pretendo ir à praia do Sambaqui, e gostei da mesa porque mostra o caminho para ir até lá. Para quem não conhece as ruas é ótimo. Sobre o Mercado, é bem limpo, organizado e com várias opções para os turistas”, diz.

Expectativa para o verão

Passada a euforia da reinauguração do Mercado, após um ano e meio de reformas, agora os comerciantes começam a se ajustar no prédio histórico. Na expectativa pela reabertura dos boxes que ainda estão fechados, os comerciantes apostam também na projeção de grande fluxo de turistas no fim de ano e durante todo o verão para alavancar as vendas.

Aurino Manoel dos Santos, 68 anos, dono do Açougue Aurino, acredita que a chuva tem desanimado as pessoas a saírem de casa e a crise no país tem diminuído o movimento em todos os comércios, não só no Mercado. “Quando finalmente colocarem a cobertura no vão central o povo poderá vir com ou sem chuva. Assim como quando abrirem todos os comércios, será muito melhor”, diz.

A comerciante Ana Fernandes da Luz, 69, que está há 56 anos no Mercado, mudou o segmento de seu comércio e ainda está se adaptando às mudanças. “Eu vendia panelas, bules, chaleiras e agora não posso mais. Só embalagens permanentes e descartáveis. O movimento está difícil, mas quando faz sol, o pessoal vem, como foi no sábado”, conta.

Natália Silveira Rosa, 30, abriu uma loja de camisetas na ala sul e vê um movimento maior nas segundas, quartas e sextas-feiras quando, conforme ela, as vans de turismo estacionam no Largo da Alfândega e os turistas saem para conhecer o Mercado. “Como trabalho com produtos turísticos, esse é o público que será bem maior no verão”, aposta.

Cronograma da cobertura será rediscutido

Após a entrega da reforma do Mercado, a única pendência da prefeitura é a finalização da cobertura retrátil do vão central. Com dias chuvosos em outubro e uma previsão nada animadora para novembro, os comerciantes esperam que o prazo seja cumprido. “O último sábado foi lotado com sol, mas quando dá chuva, todos os comércios sentem. A cobertura ajudará muito”, diz Jaques Cavalheiro Borges, dono do Balcão Mané.

De acordo com o secretário de Obras da Capital, Rafael Hahne, para finalizar a cobertura do vão central a prefeitura enfrenta dois problemas: a dificuldade financeira e o excesso de chuva. Por conta disso, é possível que a obra não seja inaugurada em dezembro. “Uma das etapas de montagem precisa de sol, então é difícil executar o serviço. Vamos nos reunir semana que vem com os comerciantes para discutir um novo cronograma”, afirma.

Infiltrações e pichações

Outro problema que tem prejudicado os comerciantes são as infiltrações e goteiras nas duas alas. Recém-reformado, o prédio histórico tem sofrido nos dias de chuva. Jacques Borges, por exemplo, teve que trocar mais de 20 telhas. A parede externa próxima ao bar Beer Boss, no vão central, também tem infiltrações e a tinta está descolando da parede. “O prédio foi reformado há três meses, não deveria precisar nem de manutenção”, diz Bruno Tristão, dono da Beer Boss.

Flávio Tin/ND

Jacques Borges, do Balcão Mané, já teve que trocar mais de 20 telhas

De acordo com o secretário Rafael Hahne, os problemas advindos da própria reforma, como um furo na manta de proteção da calha do Mercado, que acabou ocasionando infiltrações, e novas camadas de tintas, serão resolvidos pela empresa que fez o restauração, a JK Engenharia. Para serviços de manutenção posteriores à reforma, a prefeitura discutirá a possibilidade de abrir uma licitação para executar manutenções.

Um problema recorrente no Mercado voltou a acontecer na madrugada de sexta-feira. Pela terceira vez desde que foi reaberto, o prédio amanheceu pichado. As duas primeiras pichações foram em 14 de agosto e 11 de setembro, sempre na madrugada de sexta-feira. Segundo Aldonei Brito, da Associação de Comerciantes, a segurança foi reforçada desde a última pichação, com vigilantes noturnos fazendo ronda em cada uma das torres, mas o ato de vandalismo não foi percebido na hora. A instalação de câmeras de vigilância, que foi cogitada, deverá ser debatida na próxima semana entre os comerciantes.

Oito boxes devem reabrir nas próximas semanas

Para que o Mercado Público esteja com 100% dos boxes abertos, ainda faltam oito comércios abrirem as portas. Na ala sul ainda falta o Churrasquim (box 38), Bar do Elói (box 39), Sanduicheria da Ilha (boxes 32 e 33) e o Box 34 e 35 Comércio de Frutas e Verduras (no box 18). Na ala norte, ainda faltam um bar no box 10, o Empório de Vinhos (box 9) e um caldo de cana (box 72).

Segundo Elói Scaravonatto, a expectativa é de reabrir seu bar no dia 10 de novembro, com chope e petiscos. “Faltam só reajustes, montar maquinário e depois o treinamento com funcionários”, diz. O Empório do Vinho deve levar ainda cerca de 30 dias para começar a funcionar.

Quem frequenta o Mercado tem gostado do que vê, mas também fica na expectativa pela cobertura do vão central e pela total abertura dos boxes. A aposentada Lindalva Olindina Sabino, 70 anos, frequenta o Mercado desde garota. Como o marido parou de pescar, toda semana ela sai do Santinho e vai ao Centro comprar peixes frescos na sua peixaria preferida. “O atendimento melhorou e a estrutura está muito mais bonita. Com o cheiro de peixe, antes eu entrava aqui porque era obrigada, mas agora tenho prazer de entrar”, afirma.

Natural de Lages, mas morando nos Estados Unidos, Keia Vieira, 52, decidiu conhecer o Mercado reformado esta semana, e levou a mãe, Vanda Vieira, 80. “Fiz questão de vir aqui e ver como ficou. Gosto da gastronomia, das lojas, de tudo que tem aqui”, diz Keia.

Programação para o feriado

Neste sábado, a música no Mercado Público ficará por conta da cantora Lenita Leal. Como acontece todo domingo, duas peixarias estarão de plantão, das 7h às 13h. Os demais boxes não abrem. Na segunda-feira, o Mercado estará fechado.

Também no sábado, a Feira de Orgânicos Viva a Cidade, que é instalada pela manhã no Terminal Cidade de Florianópolis, oferece uma novidade a partir de agora: produtos orgânicos processados. Além de vegetais, também será possível comprar pães, biscoitos, geleias, molho de tomate, farinha e arroz orgânicos. A feira funciona das 9h às 13h.

No fim de semana, para quem quiser conhecer e explorar um pouco mais sobre a cidade, o Floripa Walking Tour faz a condução cultural pelo Centro, sendo o Largo da Alfândega o ponto de encontro. O Floripa Trekking Tour realiza caminhadas ecológicas e trilhas, com saídas da ponte da Barra da Lagoa. O Floripa by Bus faz o passeio turístico meia Ilha no sábado e na segunda-feira; o Luzes da Cidade (Centro Histórico e ponte Hercílio Luz) no sábado; e o Encantos do Sul (Centro e Sul da Ilha) no domingo.

SERVIÇO
Funcionamento do Mercado Público

De segunda a sexta: 7h às 9h. Bares e restaurantes podem se estender até 22h

Sábado: 7h às 17h. Bares e restaurantes podem se estender até as 19h

Domingo: todo domingo duas peixarias fazem plantão, das 7h às 13h

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