TRF4 mantém suspensão da pesca industrial de tainha em SC e amplia restrições

Atualizado

A desembargadora federal Vânia Hack de Almeida, do TRF4 (Tribunal Regional Federal), concedeu nesta terça-feira (11) liminar mantendo a suspensão da safra industrial de tainha até que seja estabelecido o sistema de controle online (SisTainha) e em tempo real das cotas de captura de embarcações de grande porte.

Barcos industriais capturaram mais que o dobro de tainhas do que o liberado – João Jose Francisco/Divulgação/ND

A decisão também proíbe a pesca para embarcações cujos registros do Programa Nacional de Rastreamento de Embarcações Pesqueiras por Satélite (PREPS) tenham apresentado interrupção injustificada desde o dia 1° de junho de 2018 e para aquelas que estejam com o Cadastro Técnico Federal do Ibama (CTF) cancelado ou inexistente. A magistrada ainda autoriza embarcações com CTF regular para a pesca na modalidade artesanal.

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O tribunal já havia concedido liminar em regime de plantão no dia 1° de junho suspendendo a safra de 2019 para 42 embarcações que estavam com o CTF em situação irregular, após o Ministério Público Federal alegar que a espécie estaria em risco de extinção devido à inabilidade da União de controlar em tempo real as cotas de captura.

O órgão ministerial recorreu ao TRF4 com novo agravo de instrumento pedindo a reconsideração da decisão proferida em regime de plantão. A procuradoria requeria que fossem atendidos todos os pedidos do recurso anterior, principalmente a suspensão da safra até que a União estabeleça de modo público, confiável e auditável o controle das cotas atribuídas aos réus. O tribunal atendeu parcialmente aos pedidos.

No entendimento da relatora do agravo, ficou comprovado nos autos de que o SisTainha não está protegendo de forma suficiente a pesca da tainha. “O painel de acompanhamento em tempo real do sistema só disponibiliza os dados horas ou dias depois da captura, e isso, somado ao fato de que a grande maioria das embarcações possui condições físicas de pescar muito mais do que lhes foi autorizado, é indício forte o bastante a apontar o risco ambiental da espécie”, afirmou Vânia.

Em relação ao PREPS, a magistrada ressaltou que o sistema tem como objetivo acompanhar a localização das frotas com a finalidade de evitar que haja pesca em local proibido. “Não basta que as embarcações apenas participem do PREPS. As rés devem manter o sistema de monitoramento sempre ligado. O desligamento do PREPS em determinadas situações constitui indício de prática de pesca irregular”.

Vânia manteve a multa diária de R$ 500.000,00 à União caso não providencie o imediato aviso às embarcações acerca da decisão e ainda fixou multa diária de R$ 100.000,00 para cada embarcação que desobedecer a decisão proferida.

“No prazo de 24 horas da comunicação do presente, deverá ser juntado pelos responsáveis pelo sistema SisTainha extratos dos quantitativos hora a hora de pesca já comunicados desde o inicio do período de autorização de pesca.”, concluiu a magistrada.

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