Trilha de cachoeira vira ‘matadouro’ de facção em Florianópolis

A polícia acredita que a trilha que leva até a Cachoeira do Poção, no Córrego Grande, é o mais recente local usado por uma facção para execuções em Florianópolis.

Segundo o delegado Enio de Oliveira Matos, da Delegacia de Homicídios da Capital, os três corpos que foram encontrados nas últimas semanas na região possuem relação. Os assassinos seriam operadores do tráfico de drogas no Morro do 25.

Três corpos foram encontrados na trilha nas última semanas – Anderson Coelho/ND

Nas últimas três semanas, dois homens foram encontrados mortos no meio da trilha. No último sábado (2), mais uma pessoa morta, desta vez uma mulher ainda não identificada, foi achada no local.

Área é movimentada

Localizada em uma região bastante movimentada nos dias de sol e calor, a trilha possui fácil acesso, atrai muitos visitantes, mas não conta com equipamentos de segurança e monitoramento.

Segundo o delegado Enio, por conta disso ainda não foi possível identificar todos os executores, já que não há câmeras na entrada da trilha, e nem testemunhas dos crimes.

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Comandante do 4º BPM da Capital, o major André Serafin também trabalha na operação que busca identificar os criminosos.

Segundo o militar, um adolescente de 16 anos foi apreendido dias após o segundo homicídio. Ele segue sob tutela do Estado e é o principal suspeito dos dois primeiros assassinatos.

“Capturamos o menor e esperávamos que as execuções iriam parar. Quando ocorreu a terceira, percebemos que os crimes eram maiores e mais pessoas estavam envolvidas”, relatou o major.

Duas linhas de investigações

Até o momento, há duas linhas de investigações sobre os três crimes. A primeira é a possibilidade de que os homicídios ocorreram por conta de desacordos entre membros da mesma facção.

Nesta hipótese, as vítimas estariam vendendo drogas na região, mas sem repassar o dinheiro para a facção.

A outra suspeita, segundo a inteligência da PM, é a disputa por pontos de droga no Morro do 25. A polícia tenta descobrir se outra facção tenta se instalar na área, mas a apuração “ainda é prematura”, conforme a corporação.

Reforço de segurança na área

Nos próximos dias, a equipe comandada por Serafin deve ampliar as apurações e fortalecer o policiamento no local.

Rondas na região com agentes do PPT (Pelotão de Patrulhamento Tático) ocorrem com mais frequência, principalmente à noite. Com isso, “a polícia espera inibir os crimes no local”, disse o major.

Cobertor usado para cobrir a face da vítima ainda estava no local – Anderson Coelho/ND

As vítimas

A primeira vítima, Waldson dos Santos Amarante Filho, de 31 anos, foi encontrada no dia 9 de outubro. O homem foi morto com dois tiros e encontrado com as mãos amarradas, com um cobertor no rosto. Nesta terça-feira (5), a manta usada para cobrir a face da vítima ainda estava no local.

Natural do Sergipe, Waldson morava em Florianópolis há quatro anos com a companheira, no Morro do 25.

No dia 18 de outubro, o segundo corpo foi encontrado no mesmo local. A vítima foi identificada como Jeferson Pereira, de 19 anos. Morador de Biguaçu, na Grande Florianópolis, o jovem nasceu em Lages.

A terceira vítima, encontrada no último sábado, é uma mulher e não havia sido identificada até a tarde desta terça-feira (5).

Polícia