Trump diz na ONU que EUA podem ter que ‘destruir’ a Coreia do Norte

ISABEL FLECK, ENVIADA ESPECIAL, E SILAS MARTÍ

NOVA YORK, EUA (FOLHAPRESS) – Num discurso incendiário, Donald Trump prometeu que “se os Estados Unidos forem obrigados a se defender ou defender seus aliados, não terão outra escolha a não ser destruir a Coreia do Norte.

“É um país que põe o mundo em perigo”, disse o presidente americano, sobre o “regime depravado” do ditador Kim Jong-un. “As armas da Coreia do Norte ameaçam o mundo todo com um potencial impensável de perdas de vidas humanas. Nenhuma nação tem interesse em ver esse homem se armar com armas nucleares.”

“O homem do foguete [como ele chama o ditador Kim Jon-un] está numa missão suicida para ele e o seu regime”, afirmou.

Em sua estreia nas Nações Unidas, Trump desfez qualquer impressão que poderia vir a baixar o tom e esbravejou contra regimes autoritários, citando o Irã e a Venezuela, num longo elogio ao poderio militar e ao patriotismo.

“Nossos cidadãos pagaram um preço caro para defender a liberdade de muitas nações”, disse. “Das praias da Europa aos desertos do Oriente Médio, mesmo quando saímos dos conflitos mais sangrentos, nunca buscamos vantagens territoriais ou impusemos nossos costumes.”

Ele falou em “devoção ao campo de batalha” e em “caráter americano” ao defender um mundo de países “fortes, soberanos e independentes” que lutam por seus interesses, emendando uma tentativa de explicar ao mundo seu lema “America First”, ou América em primeiro lugar

“Fui eleito não para tomar o poder, mas para dar poder ao povo americano”, afirmou. “Como presidente dos Estados Unidos, sempre vou pôr a América em primeiro lugar, da mesma forma que vocês, como líderes de seus países, devem colocar os seus países em primeiro lugar.”

Nesse ponto, o republicano atacou o Irã, criticando o acordo nuclear com o país que tem o “derramamento de sangue como produto de exportação”. Ele voltou a dizer que o acordo é o pior já negociado, num sinal de que pode decidir não respaldá-lo até o próximo dia 15.

Também ameaçou Cuba e Venezuela, usando as mesmas palavras sobre a ditadura de Nicolás Maduro em seu discurso a líderes latino-americanos, entre eles o presidente Michel Temer, num jantar às margens do encontro.

“O problema não é que o socialismo não foi implementado do jeito certo, e sim que ele foi implementado fielmente”, disse o americano, arrancando risos das delegações na Assembleia-Geral. “Esse regime corrupto impôs uma ideologia falida que só levou à pobreza e à miséria ao povo venezuelano.”

Trump, aliás, não divergiu do roteiro prévio de seu discurso antecipado pela Casa Branca, adiantando que Coreia do Norte, Irã e Venezuela seriam seus principais alvos -o chanceler norte-coreano, aliás, deixou o salão da Assembleia em protesto durante o discurso do presidente.

O americano também retomou, usando muitas das mesmas palavras, seu apelo por uma reforma da ONU, na tentativa de diminuir os gastos dos Estados Unidos com o órgão -Washington banca 22% dos US$ 5,4 bilhões de verbas anuais da organização e 28% dos US$ 8 bilhões destinados a missões de paz.

“Nós pagamos muito mais do que as pessoas imaginam. Mas, sendo justo, se isso fosse o suficiente para atingir a paz, o investimento seria válido, mas muitas partes do mundo estão em conflito e algumas, francamente, vão para o inferno”, disse o presidente, causando certo espanto.

Trump, aliás, abriu o discurso em tom protocolar, mas acabou se soltando ao longo de sua fala, como um comediante de stand-up à vontade diante de uma plateia difícil.

Depois de reclamar da ONU, Trump chegou a lembrar seus momentos de campanha. Mesmo dizendo que os Estados Unidos são “amigos do mundo”, falou que seu país não pode sair em desvantagem em acordos comerciais e ser vítima da globalização, que acabou com empregos da classe média.

“Milhões de empregos e milhares de fábricas desaparecem. Nossa grande classe média, antes um pilar da prosperidade americana, foi esquecida”, disse. “Mas agora não está mais esquecida e nunca mais será esquecida.”

Noutro apelo à sua base eleitoral, Trump criticou os “custos substanciais” da “imigração descontrolada” e defendeu restringir o número de refugiados aceitos pelos Estados Unidos, dizendo que “com o valor gasto com um refugiado aqui podemos ajudar dez refugiados em seus países de origem”.

Transbordando de adjetivos, como “vil” e “sinistro”, Trump juntou suas considerações sobre a imigração e a crise dos refugiados a uma promessa de acabar com o “terrorismo islâmico radical”, prometendo expulsar suspeitos do país e dizendo que “nos últimos oito meses tivemos mais progresso na luta contra o EI do que em todos os últimos anos juntos”.

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