Trump eleva tensão com imprensa após reunião com publisher do New York Times

ESTELITA HASS CARAZZAI

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) – O presidente americano, Donald Trump, elevou a tensão em sua relação com a imprensa após uma série de comentários neste domingo (29), quando revelou uma reunião que teve com o publisher do jornal The New York Times, A. G. Sulzberger.

O encontro ocorreu no último dia 20, a pedido da Casa Branca. 

Nas redes sociais, Trump afirmou que a reunião foi “muito boa”, e que passou boa parte do tempo comentando sobre “a vasta quantidade de ‘fake news’ [notícias falsas] publicadas pela mídia”.

“[A expressão] ‘fake news’ se transformou na frase ‘inimigos do povo’. Triste!”, disse o presidente -sem esclarecer que a frase foi usada por ele próprio, em diversos pronunciamentos.

Em nota, Sulzberger rebateu o relato do presidente, e afirmou que foi ao encontro, na realidade, com o objetivo de alertar Trump sobre sua retórica anti-imprensa.

“Eu disse diretamente ao presidente que sua linguagem não era apenas divisiva, como também perigosa”, declarou Sulzberger, para quem o discurso inflamado do presidente está contribuindo para uma alta nas ameaças contra jornalistas.

Horas depois, Trump voltou à carga, e acusou o “falido New York Times” de não fazer nada além de “escrever reportagens ruins mesmo a respeito de conquistas positivas [do governo]”.

“A liberdade de imprensa também carrega a responsabilidade de reportar as notícias de forma precisa”, escreveu o mandatário americano, nas redes sociais. “Eu não permitirei que nosso grande país seja liquidado por inimigos anti-Trump da moribunda indústria jornalística.”

Na última semana, a Casa Branca já havia barrado uma repórter da CNN de uma entrevista coletiva, por causa de perguntas “inapropriadas” dirigidas ao presidente. 

Uma reportagem do jornal Washington Post mostrou que Trump já levantou a ideia de proibir outros repórteres ou revogar credenciais.

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, defendeu que Trump é “o presidente mais acessível na história moderna”, e que não tem medo de responder perguntas.

Nesta segunda, o presidente americano não voltou a comentar o tema durante sua agenda pública.

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