Turistas mortos no Chile: O que é e como evitar intoxicações por monóxido de carbono

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Após o acidente que vitimou seis pessoas de uma mesma família de Biguaçu, durante uma viagem a Santiago, no Chile, as suspeitas recaíram sobre a possibilidade de uma intoxicação por monóxido de carbono (CO). Entre as possíveis fontes da inalação do gás estão o aquecedor a gás, o sistema de calefação ou a cozinha. Segundo autoridades chilenas, o uso desses sistemas de aquecimento em local com pouca ventilação poderia ter causado a tragédia.

O acidente é mais comum do que se pensa, já que a substância é produzida pela queima incompleta de algum combustível fóssil. “A intoxicação por monóxido é um acidente que acontece até aqui no Brasil. Quando as pessoas colocam carvão ou álcool para queimar no banheiro, nos dias mais frios, o fogo vai consumindo o oxigênio e, se não houver ventilação, a pessoa pode ir se intoxicando gradualmente até ficar inconsciente”, diz o tenente coronel Bombeiro Militar de Santa Catarina, Diogo Bahia Losso.

De acordo com o bombeiro, a queima é incompleta porque à medida em que ocorre, vai queimando o oxigênio do ar (logo, vai diminuindo a taxa de oxigênio no ambiente) e aumentando a taxa de monóxido de carbono.

Esse gás não tem cheiro, cor, nem sabor, mas pode provocar intoxicação e até morte por asfixia. O gás natural e o GLP também não possuem cheiro mas, no Brasil, recebem a adição de etil mercaptana cujo odor desagradável ajuda a detectar vazamentos, já que são gases altamente inflamáveis. Já o monóxido não é comercializado, é produto de uma queima, portanto não teria como adicionar algo que desse cheiro a ele.

“O monóxido de carbono é produzido a partir da queima, como por exemplo em aquecedores de água, aquecedor de ambiente à gás, quando em ambiente fechado, sem a renovação do ar no ambiente”, explica Losso.

Segundo o tenente coronel, não é possível afirmar em quanto tempo inalando o gás uma pessoa poderia morrer. O resultado depende de fatores como tamanho do ambiente, concentração do gás e tempo de exposição (quanto mais prolongado, pior).

Sintomas da intoxicação

A pessoa exposta a altas concentrações de monóxido começa a sentir tontura, náusea, dor de cabeça, evoluindo para confusão mental, fala enrolada similar a uma embriaguez e retardo de raciocínio, até ficar inconsciente, podendo morrer por asfixia.

A inalação por período menor pode não levar à morte, mas deixar sequelas neurológicas por conta da hipóxia – baixa oxigenação do cérebro, se a pessoa for retirada do ambiente a tempo.

Isso acontece porque ao ser inalado, o gás é rapidamente absorvido nos pulmões, atravessando suas membranas e alcançando a circulação sanguínea. Como tem alta afinidade com a hemoglobina, presente nos glóbulos vermelhos do sangue, o monóxido se liga a ela. A hemoglobina então deixa de transportar oxigênio e passa a carregar monóxido de carbono para as células do nosso corpo, reduzindo a quantidade de oxigênio disponível nos tecidos e levando à morte por asfixia.

“O que pode ter ocorrido no caso dos turistas brasileiros é que o monóxido proveniente da queima de algum sistema de aquecimento foi acumulando e ficando no ambiente, já que as janelas estavam completamente fechadas”, opina Losso. “Não sabemos quanto tempo essas pessoas ficaram expostas à substância, mas quando perceberam que estavam nauseados, com tonturas, já deveriam ter saído e pedido socorro. Se tivessem conseguido sair do ambiente teriam alguma chance de receber um tratamento e, talvez, evitado a morte”.

Como evitar a intoxicação

Para se precaver contra esse tipo de intoxicação, é preciso ficar de olho nas fontes do gás que temos em casa, como aquecedores a gás ou a querosene não ventilados [os elétricos com resistência ou óleo não formam o gás], fornalhas, fornos a lenha ou a gás, lareiras e a exaustão dos automóveis.

“Em hipótese alguma utilize soluções caseiras como queimar álcool e/ou carvão dentro de banheiros ou fogo com braseiro em ambientes fechados e pequenos. Isso vai consumir o oxigênio no ambiente e produzir monóxido de carbono, podendo provocar intoxicação e asfixia”, aconselha Losso.

Veja outras sugestões:

  • verificar se os equipamentos na sua casa estão instalados e funcionando corretamente;
  • inspecionar e limpar, todos os anos, a fornalha, as chaminés e os canos;
  • ao utilizar lareira, certifique-se de que os canos e a chaminé estão abertos;
  • não deixe ferramentas a gás trabalhando ou veículo ligado dentro da garagem, oficina ou qualquer lugar fechado;
  • nunca utilize aquecedores de chuveiro a gás em banheiros sem ventilação;
  • chaminés de exaustores devem ir para o lado de fora da casa e os ambientes devem ter entrada de ar permanente;
  • não faça fogo ou use aquecedores a gás em ambientes totalmente fechados, permita entrada de ar fresco.

Confira também a reportagem do Balanço Geral, na RICTV:

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