Um artista DAS CORES

Telas e pincéis. Aos 82 anos, José Sgrott dedica-se diariamente a pintura de telas

Rogério da Silva/ND

Arte. Sgrott expõe sua tela, algumas ainda trazem o seu traço rústico, em espaços alternativos e também vende em casa

Cores vivas dão às telas de José Sgrott Filho um brilho que reflete seu gosto pela pintura. “Aprendi a pintar sozinho, desenvolvendo um dom dado por Deus, e hoje é minha principal atividade, depois de muitos anos dedicados à marcenaria”, diz o artista, empolgado em mostrar as telas que enfeitam as paredes de sua casa no bairro Atiradores. Muitas delas retratam as duas cidades que mais o marcaram: Nova Trento, onde nasceu há 82 anos, e Joinville, que adotou há quatro décadas.
Nascido e criado no campo, José era o quarto de uma prole de dez irmãos – todos, claro, precisaram engraxar o cabo da enxada para ajudar no sustento da casa. “Com 13 anos, eu trabalhava numa fecularia, e aos 15 fui ajudante de marcenaria, onde aprendi a envernizar móveis”, conta. Fecularia é uma fábrica de farinha de tubérculos, como aipim e batata, ou de cereais, como o milho (a mais conhecida fécula leva a marca Maizena). Bom no lápis, José gostava de desenhar igrejas e casas.
Aos 21 anos foi morar em Brusque, onde aprendeu mais sobre marcenaria. “Eu trabalhava na fabricação de caixas de madeira para embalar geladeiras, que depois eram enviadas para a fábrica da Consul, em Joinville. Sou o único marceneiro ainda vivo daqueles que faziam as caixas”, reforça. Foi em Brusque que conheceu e casou-se com Maria Wippel. O casal, aliás, comemora bodas de malaquita (56 anos) neste sábado (21). “Nós começamos a namorar numa festa de Azambuja”, conta José, lembrança imediatamente confirmada por Maria.
Foi pela época do casamento que José Sgrott Filho começou a dedicar mais tempo à pintura. Adotava um estilo rústico, logo transformado em acadêmico – ainda que algumas obras guardem um tanto de rusticismo. “Eu tinha aprendido a tocar acordeon e acabei comprando um instrumento. Mas depois vendi para comprar telas e tinta em Blumenau, pois em Brusque não encontrava.”

“Eu trabalhava na fabricação de caixas de madeira para embalar geladeiras, que depois eram enviadas para a fábrica da Cônsul, em Joinville. Sou o único marceneiro ainda vivo daqueles que faziam as caixas.”

Arquivo pessoal/Divulgação/ND

Bodas. Foi em Brusque que conheceu e casou-se com Maria Wippel, em 1956
Reprodução Rogerio da Silva/ND

Obra. O traço rústico das telas de José

Marceneiro até se aposentar
Em busca de um lugar maior para criar os cinco filhos, José e Maria vieram parar em Joinville, onde um dos irmãos Sgrott trabalhava, na Cia. Hansen. E para lá foi José. “Fiquei um ano e meio na Hansen, até que fecharam o setor de marcenaria. Aí o seu João Hansen me arranjou uma vaga na Marcenaria Ravache, onde fiquei 19 anos, até me aposentar.”
A essa altura, com 60 anos de idade, José Sgrott se entregou totalmente à pintura. Além das paisagens lembrando Nova Trento, Brusque e Joinville, também copiava imagens, sempre dando um toque especial, como um fundo ou uma ambientação diferente da original.
No início da carreira de artista, José saía pela cidade de bicicleta, vendendo suas obras. Até que conseguiu comprar o primeiro carro, uma Variant. “De bicicleta só dava para levar uma ou duas telas, mas a Variant ia cheia.” Filiado à Aaplaj (Associação dos Artistas Plásticos de Joinville) durante 15 anos, José Sgrott era presença certa na antiga Feira de Arte e Artesanato, realizada uma vez por mês, primeiro na rua das Palmeiras, depois na Príncipe. Hoje a feira ocupa um espaço permanente, na praça Lauro Müller, mas Sgrott não participa mais. Prefere expor onde encontre espaço, e anuncia “telas com arte” em plaquinhas penduradas em frente à entrada de casa, na rua Caçador. “Já doei obras para todos os hospitais da cidade, mas é difícil vender”, admite, contabilizando mais de mil telas pintadas na carreira.
Dos seis filhos – um joinvilense – e nove netos, até agora ninguém manifestou a veia artística. De qualquer forma, José Sgrott sobe todos os dias a escada que leva a seu ateliê, onde a produção não para.

Serviço | Onde encontrar
Obras de José Sgrott Filho podem ser vistas no hall do hotel Sleep Inn (rua Senador Felipe Schmidt, 460). O ateliê e a maior parte das telas à venda estão na rua Caçador, 67, fundos.

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