Umbandistas denunciam estátua vandalizada e carro apedrejado em Florianópolis

Frequentadores do templo umbandista Ylê de Xangô, no Ribeirão da Ilha, denunciaram a violação de uma estátua de Iemanjá e o apedrejamento do carro de um de seus membros, em Florianópolis. O ato de vandalismo foi associado à intolerância religiosa e “onda de ódio que assola o país”.

Nesta quinta-feira (1º), os frequentadores da casa se depararam com a estátua pintada com tinta vermelha e quebrada em vários pontos. A imagem fica localizada na principal via do bairro, à beira-mar, em frente ao templo.

Estátua de Iemanjá fica na principal via do Ribeirão da Ilha - Ylê de Xangô/Divulgação
Estátua de Iemanjá fica na principal via do Ribeirão da Ilha – Ylê de Xangô/Divulgação

A denúncia também mostra que o carro de um dos membros foi atacado com uma pedra, tendo os vidros quebrados e o pneu furado. O espelho que faz parte da estátua estava ao lado do automóvel.

“Mais um ato de intolerância religiosa. Nós do Ylê de Xangô ontem fomos vítimas do preconceito, do racismo e da onda de ódio que assola o país”, disse representante do templo. Eles também afirmam que o ato criminoso foi denunciado à polícia, mas que nada foi feito.

A reportagem tentou entrar em contato com a subdelegacia de Polícia Civil do Ribeirão da Ilha, mas não obteve êxito. A assessoria de imprensa da corporação também não tinha informações sobre o caso até a publicação desta matéria.

Carro de membro do templo foi atacado com pedra - Ylê de Xangô/Divulgação
Carro de membro do templo foi atacado com pedra – Ylê de Xangô/Divulgação

Confira a nota do templo Ylê de Xangô na íntegra:

Mais um ato de intolerância religiosa. Nós do Ylê de Xangô ontem fomos vítimas do preconceito, do racismo e da onda de ódio que assola o país. A estátua em homenagem à Mãe Iemanjá foi violada com tinta vermelha e quebrada em vários lugares. E o carro de um dos filhos do templo foi totalmente destruído. Denunciamos o ato, ligamos para polícia mas nada foi feito.

Apesar da Constituição Federal garantir o direito à liberdade de credo e manifestações religiosas, nós praticantes da Umbanda, Candomblé, Nação – principais vítimas do preconceito – lidam com ofensas e agressões de diversas naturezas, a cada 15 horas, um terreiro é violado no país.

O Brasil foi o destino, entre os séculos 16 e 19, de homens e mulheres africanos trazidos para servir como mão de obra escrava. Naquela época, a preservação da cultura e da crença era símbolo de resistência contra a violência a qual aquele povo foi submetido e, ainda hoje, os praticantes de religiões africanas precisam lutar pelo respeito e liberdade.

A intolerância é uma doença, e, de tempos em tempos, torna-se uma epidemia, um mal social que atinge uma imensa camada da população global, que fere a dignidade humana e a liberdade de expressão. Ela se baseia no preconceito, na discriminação, no pretenso monopólio da verdade e no fundamentalismo. Aqueles que praticam a intolerância religiosa acreditam possuir alguma “procuração divina” e, em nome de sua fé, sentem-se no direito de achincalhar, invadir, espoliar, prender, torturar e, por fim, exterminar o diferente.

Mas essa grave doença tem cura, e seu tratamento começa pela educação e esclarecimento, pois toda a violência surge do medo, e o medo advém da ignorância. Para tanto, são necessárias ações intensivas e continuadas de sensibilização e conscientização da população, e uma política de educação para a tolerância, a compreensão e o respeito à diversidade, que deve começar na pré-escola e se estender a todas as idades.

Povo de Santo, está na hora da UNIÃO!

Polícia