Vândalos danificam 20 ônibus do transporte público de Florianópolis durante a madrugada

Ataques aconteceram na última noite de Carnaval em locais sem policiamento. “Foi muita loucura", contou cobrador

As empresas Insular, Estrela e Emflotur, operadoras do Consórcio Fênix no transporte coletivo de Florianópolis, ainda contabilizam os prejuízos da arruaça registrada na madrugada desta quarta-feira (10) em bairros continentais e no Sul da Ilha. Parte da frota destinada a foliões no encerramento do Carnaval, no total de 20 ônibus, foi destruída por vândalos nas linhas Madrugadão Sul, Continente e Monte Cristo.

Consórcio Fênix/Divulgação

Janelas laterais tiveram vidros quebrados

Boletins de ocorrência policial devem ser registrados até sexta-feira, informou o coordenador técnico do Consórcio Fênix, Rodolfo Guidi. Segundo ele, os ataques ocorreram depois da saída do Ticen (Terminal Central de Integração), ou seja, no trajeto aos bairros, em locais sem policiamento. A depredação se concentrou nas linhas consideradas de risco.

“A Polícia Militar ajudou o máximo possível, dentro das suas capacidades”, disse Guidi. Os danos materiais foram com vidros e janelas, saídas de emergência e exaustores, além dos prejuízos com os ônibus parados para manutenção.

“Os mais afetados são os passageiros. Veículos depredados deixaram de cumprir os seus itinerários, parados para manutenção nas garagens”, afirmou.

Mesmo assim, o coordenador técnico garantiu que nenhum horário regular deixou de ser cumprido, exceto algumas viagens extras por excesso de demanda nas plataformas do Ticen.  “Infelizmente os veículos depredados não puderam retornar ao terminal”, contou.

Motoristas e cobradores foram obrigados abrir as portas intermediárias e traseiras para que não houvesse pagamento no embarque. Até a noite desta quarta, nenhum dos vândalos havia sido identificado, já que os ônibus ataques não dispunham de câmeras de monitoramento interno.

O comandante do 4° Batalhão da Polícia Militar, tenente coronel Marcelo Pontes, teve conhecimento de apenas um caso, na madrugada de domingo, na Costeira. “Depois disso, fizemos uma escolta. Seria impossível acompanhar todas as linhas de risco, não tínhamos viaturas disponíveis”, disse.

Arruaça, ameaça e medo no itinerário

A violência assustou até mesmo quem já está acostumado a lidar com situações de risco nas linhas do transporte público durante a madrugada em Florianópolis. É o caso do cobrador Daniel Alves Bastos, de 26 anos, que viveu momentos de pavor ao lado do motorista Fernando Walter, de 42, e dos poucos passageiros que pegaram o ônibus às 3h30, no Ticen, para o Sul da Ilha.

“Foi muita loucura. Arrebentaram as portas, inclusive a de emergência e o tampão superior de entrada de ar, quebraram os vidros laterais e arrancaram bancos”, relatou.

Peças danificadas foram arremessadas para fora do ônibus, formando rastro de sucata entre a avenida Jorge Lacerda, na Costeira do Pirajubaé, e a SC-405, no Rio Tavares.

Alguns vândalos, todos jovens, subiram no teto do ônibus e praticaram “surfe rodoviário”, enquanto outros permaneceram no interior em algazarra regrada a maconha e bebidas alcoólicas. Também houve ameaça de agressão física ao cobrador e ao motorista, que foram proibidos de parar nos pontos de embarque e desembarque.

Segundo uma das passageiras que presenciou a depredação, um dos motoristas pediu apoio à Polícia Militar com escolta armada durante o trajeto, mas não foi atendido.

“Ficamos 20 minutos no Ticen, o ônibus que deveria sair às 3h10 saiu só às 3h30, mas nenhuma viatura policial apareceu”, disse a mulher, que não quis ser identificada.

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