Vão central da ponte Hercílio Luz volta a oferecer risco

Atualizado

O prazo para entrega da ponte Hercílio Luz restaurada, fixado para dezembro de 2019, ficou para trás. Sem nova data para conclusão da obra que já custou mais de R$ 740 milhões, o governo de Santa Catarina, agora, corre contra o tempo para não sofrer com o pior. Com prazo de validade vencida, a estrutura de sustentação do vão central, construída de forma temporária, precisará ser reforçada de forma emergencial para que a obra possa ter continuidade.

Quando foi construída, a sustentação provisória deveria durar tempo suficiente para que a Hercílio Luz estivesse pronta para o uso. No entanto, com os seguidos atrasos no cronograma de entrega, a estrutura provisória perdeu a validade e volta a colocar a obra em risco. Os registros recentes das obras apontam que esta será a terceira vez que a estrutura precisará ser reforçada.

Segundo Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura), a contratação da obra com dispensa de licitação tem como objetivo “garantir a segurança da população e integridade da estrutura”. Até que a obra de reforço fique pronta, o vão central não poderá receber sobrecarga, sob risco de colapso da ponte. Por outro lado, a não realização da obra neste momento, ainda segundo o Deinfra, traria um custo mensal de R$ 2 milhões aos cofres públicos.

A obra emergencial será realizado pela Teixeira Duarte, mesma empresa que atualmente toca realiza a restauração da ponte. O prazo para conclusão dos trabalhos é de 90 dias. Até o fim do ano, a expectativa do governo é de investir pelo menos mais R$ 41 milhões na velha ponte. O Deinfra informou que a estrutura de sustentação foi erguida em 2013 e tinha validade de cinco anos.

Justiça questiona método de sustentação

Inicialmente, no projeto original, a reabilitação do vão central previa a transferência de carga das barras de olhais com a utilização de cabos provisórios, mas que foi alterado, através de um aditivo, para um sistema de sustentação provisório inferior ao tabuleiro existente. O novo método previu a execução de uma ponte de sustentação provisória, com fundações profundas e uma estrutura metálica espacial, capaz de suportar o peso do vão central e servir de plataforma de apoio.

A alteração de metodologia também é alvo de questionamento na ação do MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina) que investiga suspeitas de desvios de recursos da obra. O órgão já pediu bloqueio de R$ 233 milhões dos envolvidos, mas o caso ainda aguarda decisão da Justiça.

Segundo a promotora Darci Blatt, a alteração na execução da obra foi decidida de forma deliberada pela então empresa executora. As mudanças no contrato acarretou em uma mudança contratual no valor de R$ 62 milhões.

“A alteração do aludido sistema de transferência de cargas para um mais simples, qual seja, a ponte ficará escorada por baixo ao invés da sustentação pênsil, ocorreu tão somente no quinto termo aditivo, isso obstou a possibilidade de que outras empresas pudessem participar do Edital de Concorrência nº 044/2007, já que à época do certame a qualificação técnica seria de menor complexidade o que permitiria que mais sociedades empresárias estivessem aptas a concorrer”, destaca a promotora.

Governo estuda recriar comissão

No último dia 25 de janeiro, o governo reencaminhou à Procuradoria do Estado pedido de análise de minuta de projeto para recriação da Comissão Especial Temporária para acompanhar e fiscalizar as obras da Hercílio Luz.

A comissão foi instituída em 2015, com a finalidade de fiscalizar possíveis irregularidades na obra. Por mês, desde 2015, o governo desembolsou R$ 44,1 mil com sete servidores destacados para compor a comissão. Em quatro anos, o custo em gratificação chegou a R$ 2,1 milhões.

Em 2017, o Deinfra chegou a manifestar que o pagamento das gratificações à comissão era justo devido ao retorno financeiro que o grupo estaria trazendo aos cofres públicos com suas atividades.

Jornalismo

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Vão central da ponte Hercílio Luz volta a oferecer risco

O prazo para entrega da ponte Hercílio Luz restaurada, fixado para dezembro de 2019, ficou para trás. Sem nova data para conclusão da obra que já custou mais de R$ 740 milhões, o governo de Santa Catarina, agora, corre contra o tempo para não sofrer com o pior. Com prazo de validade vencida, a estrutura de sustentação do vão central, construída de forma temporária, precisará ser reforçada de forma emergencial para que a obra possa ter continuidade.

Ponte Hercílio Luz  - Daniel Queiroz/ND
Ponte Hercílio Luz – Daniel Queiroz/ND

Quando foi construída, a sustentação provisória deveria durar tempo suficiente para que a Hercílio Luz estivesse pronta para o uso. No entanto, com os seguidos atrasos no cronograma de entrega, a estrutura provisória perdeu a validade e volta a colocar a obra em risco. Os registros recentes das obras apontam que esta será a terceira vez que a estrutura precisará ser reforçada.

Segundo Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura), a contratação da obra com dispensa de licitação tem como objetivo “garantir a segurança da população e integridade da estrutura”. Até que a obra de reforço fique pronta, o vão central não poderá receber sobrecarga, sob risco de colapso da ponte. Por outro lado, a não realização da obra neste momento, ainda segundo o Deinfra, traria um custo mensal de R$ 2 milhões aos cofres públicos.

A obra emergencial será realizado pela Teixeira Duarte, mesma empresa que atualmente toca realiza a restauração da ponte. O prazo para conclusão dos trabalhos é de 90 dias. Até o fim do ano, a expectativa do governo é de investir pelo menos mais R$ 41 milhões na velha ponte. O Deinfra informou que a estrutura de sustentação foi erguida em 2013 e tinha validade de cinco anos.

Justiça questiona método de sustentação

Inicialmente, no projeto original, a reabilitação do vão central previa a transferência de carga das barras de olhais com a utilização de cabos provisórios, mas que foi alterado, através de um aditivo, para um sistema de sustentação provisório inferior ao tabuleiro existente. O novo método previu a execução de uma ponte de sustentação provisória, com fundações profundas e uma estrutura metálica espacial, capaz de suportar o peso do vão central e servir de plataforma de apoio.

A alteração de metodologia também é alvo de questionamento na ação do MP-SC (Ministério Público de Santa Catarina) que investiga suspeitas de desvios de recursos da obra. O órgão já pediu bloqueio de R$ 233 milhões dos envolvidos, mas o caso ainda aguarda decisão da Justiça.

Segundo a promotora Darci Blatt, a alteração na execução da obra foi decidida de forma deliberada pela então empresa executora. As mudanças no contrato acarretou em uma mudança contratual no valor de R$ 62 milhões.

“A alteração do aludido sistema de transferência de cargas para um mais simples, qual seja, a ponte ficará escorada por baixo ao invés da sustentação pênsil, ocorreu tão somente no quinto termo aditivo, isso obstou a possibilidade de que outras empresas pudessem participar do Edital de Concorrência nº 044/2007, já que à época do certame a qualificação técnica seria de menor complexidade o que permitiria que mais sociedades empresárias estivessem aptas a concorrer”, destaca a promotora.

Reprodução - Reprodução/ND
Reprodução – Reprodução/ND

Governo estuda recriar comissão

No último dia 25 de janeiro, o governo reencaminhou à Procuradoria do Estado pedido de análise de minuta de projeto para recriação da Comissão Especial Temporária para acompanhar e fiscalizar as obras da Hercílio Luz.

A comissão foi instituída em 2015, com a finalidade de fiscalizar possíveis irregularidades na obra. Por mês, desde 2015, o governo desembolsou R$ 44,1 mil com sete servidores destacados para compor a comissão. Em quatro anos, o custo em gratificação chegou a R$ 2,1 milhões.

Em 2017, o Deinfra chegou a manifestar que o pagamento das gratificações à comissão era justo devido ao retorno financeiro que o grupo estaria trazendo aos cofres públicos com suas atividades.

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