Vazamento de gas é identificado no Residencial Trentino

Crianças teriam violado registros de gás de alguns dos 31 blocos do condomínio do Programa Minha Casa Minha Vida construído em Joinville

Luciano Moraes

Érico mostra as casas de registros sem proteção que agora serão lacradas

Pode ser brincadeira de criança, mas o risco de explosão é iminente. No fim de semana passada, os Bombeiros Voluntários de Joinville atenderam a três situações de vazamento de gás no Residencial Trentino 1, no bairro Boehmerwald. A suspeita principal é de que os pequenos tenham aberto os registros de dois dos 31 blocos. Mas nada está comprovado. A solução será colocar cadeados com chave-mestra nas casas de registros em cada bloco do empreendimento do Programa Minha Casa Minha Vida.
A chave única seria uma solução para o caso de ocorrer alguma emergência e não se perder tempo procurando a chave certa para abrir o cadeado. É o que analisa um dos sócios da Padra Administração Condominial Ltda. Érgio Curtarelli, que administra o Residencial Trentino. Segundo ele, crianças abrem as portas das casinhas de registro – que ficam abertas por orientação dos bombeiros – e, sem saber o que estão fazendo, abrem registros de gás de apartamentos ainda vagos, o que dificulta a identificação de onde está o vazamento. “A criança está ali e não tem noção do perigo”, diz Curtarelli.
Ele adverte que o gás é preocupante, principalmente diante do risco de explosão, como ocorreu há alguns meses num condomínio de Curitiba, também administrado pela Padra. Naquele caso, os 212 apartamentos estão distribuídos em sobrados com quatro unidades cada um. Um deles explodiu, devido a um vazamento de gás. E agora a administradora está reconstruindo o imóvel. “Por sorte, não tinha ninguém em casa, senão tinha morrido todo mundo”, diz ele, completando: “A gente tem consciência do problema.”
No caso do Trentino, são 31 blocos com 16 apartamentos cada, um total de 496 unidades habitacionais no maior empreendimento do Minha Casa, Minha Vida em Santa Catarina. Ali, serão colocados 62 cadeados, pois cada bloco tem duas pequenas centrais de gás ligadas à central geral do condomínio. Cada central tem oito registros. Em cada apartamento também há um registro, e todos estão equipados com respiros que podem evitar o armazenamento de gás em caso de vazamento. Mas não no caso de um longo e grande vazamento.

“Os moradores exageraram”

Uma equipe formada por engenheiros e técnicos da FMM Engenharia, empresa responsável pela execução do projeto Trentino 1, monitoram de perto a situação. A engenheira que coordena a equipe disse que, em caso de vazamento, o mais indicado é fechar o gás, abrir as janelas e sair do bloco.
Para ela, os moradores exageraram ao chamar os bombeiros para solucionar o vazamento, mas reconhece a gravidade do problema e informa que na próxima semana os próprios bombeiros darão uma palestra sobre segurança e prevenção a incêndio e explosão aos moradores, que ontem reclamaram da falta de gás em alguns blocos. “Mas já está tudo resolvido”, disse Francine Silva, coordenadora de qualidade e manutenção da FMM.

Uma questão de educação

Um dos seguranças armados que atuam no condomínio compara o local a Sodoma e Gomorra. Para ele, os moradores precisariam passar por um amplo processo de reeducação para se ambientar à nova realidade de morar num condomínio, em sociedade.
O simples fato de estar armado, para o segurança, já indica o clima vivido ali. “Já viu outro condomínio que o segurança tá com um trabuco assim? Só aqui. Isso aqui é Sodoma e Gomorra”, diz ele, informando que no sábado passado dois irmãos brigaram e um ameaçou o outro com uma faca. Somente no domingo (15), a polícia foi chamada três vezes para solucionar pequenos problemas entre vizinhos.
Alheia a tudo isso, a cabeleireira Fabiane Cristina Quintino, 36 anos, está feliz da vida com o apartamento novo que aguardou por 12 anos. Ali ela mora com suas quatro filhas, Kerolen, 17, e Karla, 13, além das menores Kamily, 8, e Francinem, 2, com quem passeava no parquinho do condomínio. Ela viu os bombeiros no fim de semana, mas não fazia ideia do problema. “Estou bem contente aqui”, afirma, enquanto aguarda a chegada de seu primeiro filho homem.

Acesse e receba notícias de Joinville e região pelo WhatsApp do ND+

Entre no grupo
+

Notícias