Vendedores ambulantes ocupam calçadão do Kobrasol, em São José

Daniel Queiroz/ND

Qualquer espaço no calçadão do Kobrasol vira vitrine para os vendedores ambulantes

Os pedestres que passam pelo calçadão da avenida Lédio João Martins, a central do bairro Kobrasol, têm que disputar espaço com os objetos expostos no chão pelos vendedores ambulantes. A cada manhã a prática se repete. Sobre tecidos são exibidos carrinhos, lenços, além de CDs e DVDs falsificados. Com a maior repressão contra a venda de produtos ilegais em Florianópolis, São José tem sido o local preferido para os camelôs.  

Três por R$10. Assim o vendedor anuncia os DVDs na calçada da avenida. A poucos metros, outro ambulante exibe meias sobre uma caixa de papelão. Em uma esquina, as camisetas de times de futebol são penduradas em um varal improvisado entre os postes. O misto de poluição visual e venda irregular permanece sem ação alguma da prefeitura. “Não tenho nenhuma licença porque sou estrangeiro”, justifica João Anguira. Natural do Equador, ele trabalhava em Florianópolis, onde perdeu muita mercadoria durante a ação dos fiscais da prefeitura. “O jeito foi vir para São José”, disse, sobre a mudança realizada há um ano. Alan de Sá também trabalha ilegal. Vende DVDs há cinco anos no Kobrasol. “Nunca perdi produtos aqui”, conta.

A livre permanência dos ambulantes desagrada os comerciantes locais, como Luiz Silva, 55. Ele lamenta a falta de fiscalização e diz que os ambulantes não são importunados. “Além dos onerosos impostos, pagamos aluguel da sala. Não acho justo”, critica. Silva afirma que nos próximos meses a tendência é aumentar ainda mais o número de vendedores espalhados pelo calçadão e pelas calçadas da avenida central devido a chegada do verão. “Isso é concorrência desleal. Se ele tem pode vender na rua qualquer um pode. Aí vira baderna”, compara.

O diretor da Unidade Avançado do CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) no Kobrasol, Ewerton Luiz Alvez afirma que a situação fica mias critica no fim de cada ano, quando os ambulantes disputam venda com os comerciantes legalizados. “além de tomarem conta do espaço público eles dão prejuízos aos que pagam impostos e agem dentro das normas fiscais”, disse, ao observar que a maioria dos ambulantes de São José saíram de Florianópolis onde há fiscalização mais efetiva. “Se não for combatida, não vai muito tempo e não haverá mais lugar para os pedestres”, adverte.

Novo secretário promete mais fiscais

Michel Schlemper, que há dez dias assumiu a pasta a Secretaria de Serviços Públicos de São José, disse que se reunirá ainda nesta semana com o secretário de Receita para discutir o assunto. “Precisamos de uma ação conjunta para reprimir a venda de produtos falsificados”, disse Schlemper. Ele afirmou ainda que precisa revisar os procedimentos internos sobre o tema. “Com a abertura de concurso público para contratação de novos fiscais poderemos agir com mais rigor”, antecipou.

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