Vereadora do PSDB de Tijucas afirma que participou de cursos falsos investigados pela Deic

O ano legislativo na cidade começou na segunda. Os outros vereadores não quiseram comentar a investigação

Começou nesta segunda (1) o ano legislativo da Câmara de Vereadores de Tijucas. O fim do recesso dos parlamentares aconteceu poucos dias após a conclusão do inquérito da operação Iceberg deflagrada pela Deic (Diretoria Estadual de Investigações Criminais) em 2014 e que apura possível desvio de verbas pela instituição.

Os vereadores preferiram não se manifestar sobre a investigação. “Sobre a operação preferimos que nosso advogado nos represente, afinal, o processo ainda está em andamento”, disse a presidente da Casa, vereadora Elizabete Mianes da Silva (PMDB).

Divulgação/ND

Vereadores voltaram ao trabalho nesta segunda-feira

Apenas a vereadora Lialda Lemos (PSDB), autora das denúncias que deram origem à investigação, aceitou falar. Ela afirmou que participou dos falsos cursos e que até então se manteve calada por causa das investigações. “O esquema da câmara era feito com três empresas, todas do mesmo dono. Fui a primeiro curso, de uma das empresas fantasma. Saí de Tijucas, fui a Curitiba, me hospedei, passei a semana toda lá e ia ao ‘curso’, que era apenas um bate papo com um empresário que nos recebia”, explica.

Ela disse que depois reclamou, mas surgiram outros cursos aos quais ela também foi. “Fui ao segundo, de outra empresa, e foi a mesma coisa. Depois, um terceiro e tudo se repetiu, com o mesmo empresário. Foi aí que levei a denúncia à Deic”, diz a vereadora.

A vereadora ainda afirma que os esquemas começaram em 2013. Questionada sobre a denúncia inicial, que dizia respeito a uma possível fraude no pagamento de contas telefônicas, ela explica que este foi o primeiro motivo de suas denúncias. “Depois vi fraudes em compras de passagens aéreas, pagamento de diárias, falsificação de balancetes, enfim, várias irregularidades que estão sendo investigadas”, completa.

Sobre o fato de também ter se tornado uma das investigadas no processo, Lialda afirma que  “não serei hipócrita em assumir um erro. Erro este que para mim, foi induzido. Recebi diárias, sim, mas paguei as despesas para ir a Curitiba, aos cursos fantasmas, que eu não sabia que eram”, disse.

Outros vereadores, também indiciados, preferem aguardar o desenrolar do processo antes de se manifestarem já que afirmam terem como comprovar inocência por possuírem provas de que participaram dos tais cursos.

A vereadora Lialda Lemos, no entanto, afirma que se sente tranquila. “Vivemos uma situação lamentável, visto que a figura política vem sendo pisoteada nacionalmente. Contudo, digo que me sinto bem, tranquila e de consciência limpa, afinal, contribuí para eliminar o esquema travado em nosso legislativo. As minhas diárias serão devolvidas. Já requeri informações bancárias e estou no aguardo. Se for para findar carreira, findo, mas com a certeza de dever cumprido”, conclui.

Participe do grupo e receba as principais notícias
da Grande Florianópolis na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os
termos de uso e privacidade do WhatsApp.
+

Notícias

Loading...