VÍDEO: Após reportagem, três novas vítimas denunciam guia espiritual

Atualizado

A Delegacia de Polícia de Biguaçu recebeu três novas denúncias de abuso sexual contra um guia espiritual que atuava na cidade na Grande Florianópolis. As mulheres procuraram a polícia na terça-feira (15), após reportagem exclusiva da RICTV contar relatos detalhados dos casos. 

Até então, seis mulheres haviam registrado boletins de ocorrência na polícia. Lourival Manoel da Silveira Filho, de 54 anos, teve a prisão preventiva decretada e foi preso na noite passada. 

Vítima de abuso sexual – Foto: Reprodução/RICTV/ND

O caso começou a ser investigado há cerca de um mês, quando as mulheres começaram a fazer as denúncias. Nos relatos, elas disseram que procuraram o “religioso” em busca de ajuda para resolverem diferentes problemas de ordem emocional.

As três novas vítimas serão ouvidas pela polícia na tarde desta quarta-feira. Os depoimentos serão anexados à investigação, que deve ser concluída em 10 dias.  

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Segundo a delegada Marcela França Goto, os abusos ocorriam nas sessões nos fundos da casa em que ele morava:

“Ele usava uma loção para justificar que isso fazia uma limpeza e, nesse momento, ele acabava acariciando os seios e órgãos genitais e beijos lascivos, inclusive até na presença de alguns companheiros”, contou.

Na reportagem do RICTV, algumas mulheres relataram detalhes das sessões. Uma delas, que não foi identificada, contou que sofreu abusos durante a limpeza dos chacras. Fragilizada e sem nunca ter frequentado um local como aquele, ela acreditava ser um procedimento normal.

“Toda vez que eu entrava naquele quarto, ele usava ervas. Algumas vezes, me pediu para ir com roupas estilo vestido, para poder fazer melhor a limpeza. Sempre que eu entrava em transe, eu sentia ele tocando meus seios”, conta.

Segundo ela, Lourival dizia que espíritos a acompanhavam e que a limpeza era necessária para purificá-la. Os toques e o uso das ervas faziam parte do ritual. O crime investigado é o de violação sexual mediante fraude (artigo 215 A do Código Penal).

Para a advogada Daniela Fêlix que faz a defesa das vítimas, o guia usava os mesmos artifícios no crime com todas as mulheres. Nos depoimentos, elas contam que foram abusadas em nome da religião.

“Ele tem um modus operandi. Se aproveitava dessa função para enganar, ludibriar e conseguir fazer esses crimes sexuais”, relatou a advogada.

Semelhança com abusos cometidos por João de Deus

De acordo com a delegada, os relatos das vítimas são muito parecidos com os divulgados contra o médium João de Deus. Preso há dez meses, ele é conhecido em todo o país. Antes, pelo trabalho como médium. No entanto, desde o dia 16 de setembro, quando foi preso, é reconhecido pelos oito processos de abuso sexual e posse de arma em que é réu. 

“Os casos são bem semelhantes ao do João de Deus, pois se aproveita da fragilidade espiritual para cometer esse crime”, contou Marcela. 

A linha de investigação usada pela polícia civil classifica os abusos como violação sexual mediante fraude (artigo 215 A do Código Penal). O crime ocorre quando o abusador não se vale de violência ou ameaça, mas sim de artifícios. 

Contraponto

Nesta quarta-feira (16), a defesa informou que irá pedir a revogação da prisão do guia espiritual. Segundo o advogado Raul Eduardo de Oliveira, Lorival nega os abusos e alega que manteve relacionamentos com duas das mulheres que fizeram as denúncias. 

“Inclusive, algumas mulheres frequentaram a casa dele e trocavam mensagens. Elas tiveram relacionamentos amorosos. Ele estava cooperando com as investigações e, por isso, vamos tentar revogar a prisão preventiva o mais breve possível”, disse Raul. 

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