Vigilante encontra documento que restou de incêndio no Museu Nacional

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Um vigilante da região da Quinta da Boa Vista, parque na zona norte do Rio onde fica o Museu Nacional, entregou na manhã desta terça-feira (4) um documento que escapou do incêndio responsável pela destruição do acervo do museu bicentenário no domingo (2). 

O documento, parcialmente queimado, foi encontrado na segunda (3) a cerca de 200 metros do museu, numa região de gramado do parque próxima a um pequeno lago, à direita do prédio histórico.

O vigilante Felipe Farias da Silva, 29, foi quem encontrou o documento. Ele trabalha no comércio do entorno do parque. O artigo foi entregue aos técnicos do museu. 

O conteúdo da página, escrita em inglês e com mapas cartográficos, indicaria ser oriundo da biblioteca de antropologia, totalmente destruída pelas chamas. 

Também foram perdidas as coleções de múmias e artefatos egípcios e há suspeita de que a parte de linguística também tenha sido destruída. 

Tal suspeita reside no fato de a área onde o acervo de linguística estava armazenado ter sido tomado pelas chamas. Ali estariam, por exemplo, amostras de cantos de tribos indígenas que já nem existem mais no Brasil.

O documento recuperado pelo vigilante foi levado para junto de outras obras ou fragmentos de obras encontrados em meio aos escombros e armazenados no prédio anexo ao museu, uma estrutura subterrânea independente do prédio histórico e que não foi atingida pelas chamas. 

Um fragmento de crânio humano foi encontrado na própria segunda. Havia a suspeita, ainda não confirmada pela direção do museu, de que poderia ser de Luzia, fóssil humano mais antigo do Brasil. 

Outras obras recuperadas nos últimos dois dias foram um quadro de Marechal Rondon, parte da coleção de insetos e das coleções de vertebrados e invertebrados, além do herbário e da coleção de meteoritos.

O chamado Horto Florestal, que fica em área anexa ao prédio, escapou sem danos. A boa notícia é que a biblioteca central do museu, a principal do local, está intacta. O local abriga 500 mil títulos, dos quais 2 mil são obras raras. 

O fogo atingiu todo o segundo andar do prédio principal do museu, onde as obras estavam expostas. 

A vice-diretora do Museu, Cristiana Serejo, manteve nesta terça a estimativa de que somente 10% do acervo de 20 milhões de itens, tenha sido recuperada no local do incêndio. Obras que não estavam expostas também foram destruídas pelo fogo.

Os materiais resgatados estão sendo acondicionados e catalogados pela equipe do museu no prédio anexo. Ali funcionavam a parte administrativa e alguns laboratórios, como o de taxidermia e de restauração, este último que será responsável pelo trabalho de recuperação das peças atingidas. 

O trabalho de restauro, contudo, ainda não pode ser iniciado, visto que a Polícia Federal aumentou nessa terça as restrições de circulação na área do museu e também no contato dos técnicos com as peças retiradas de escombros. 

O motivo é para que a PF possa periciar as instalações do museu destruído e também as peças recuperadas. O objetivo é tentar determinar as causas do incêndio, ainda não esclarecidas e evitar a manipulação de possíveis provas para a investigação em curso.

Parte dos prédios ficou sem energia. Um funcionário da área de taxidermia, por exemplo, explicou que foram utilizados sacos de gelo para preservar o estado de animais que passavam por trabalho de empalhamento.

Homens do Exército passaram a madrugada no entorno do prédio para que nenhuma obra fosse retirada do local sem conhecimento das autoridades, além de evitar invasões. 

Serejo afirmou que o incêndio gerou comoção entre a comunidade científica e museóloga internacional. Segundo a diretora, o museu já recebeu ofertas de doações de fósseis de dinossauros e baleias, além de insetos.

O Museu Nacional era o principal museu de história natural e de antropologia da América Latina. 

A diretora pede que pessoas da região da Quinta da Boa Vista, em São Cristovão, zona norte do Rio, que tenham encontrado peças do museu, que entreguem para os técnicos da instituição. 

É possível, segundo a assessoria do Museu Nacional, que no futuro uma parte dos materiais chamuscados que foram recuperados sejam utilizados em uma mostra sobre o incêndio que destruiu o museu.

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