Vítima de tragédia no Chile é homenageada em escola onde trabalhava em Florianópolis

Atualizado

Uma das seis vítimas fatais da tragédia ocorrida em um apartamento em Santiago, no Chile, Débora Muniz Nascimento de Souza, de 38 anos, foi homenageada no colégio onde trabalhava como coordenadora pedagógica na noite desta quinta-feira (23). O clima era de comoção. O choro tomou conta de pais, alunos e colegas de trabalho.

Tristeza e saudade tomaram conta da homenagem para Débora – Arquivo Pessoal / ND

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“Tia Débora”, como era chamada por todos na escola, era única. Admirada por todos, era considerada o “coração” do colégio. De sorriso fácil, Débora estava sempre disposta para dar atenção aos pais e coordenar as ações da unidade.

Débora começou a trabalhar no colégio em 2008 e permaneceu até 2012. Depois disso, trabalhou na prefeitura de Biguaçu – cidade onde morava. Há pouco mais de quatro anos, ela retornou para o colégio Espaço da Criança como professora. Mais tarde, assumiu o cargo de coordenadora pedagógica.

“Ela era pura luz. Todos eram muito familiarizados com ela”, comentou a professora Nadynne Chagas, de 29 anos. “Além de trabalhar aqui, eu também vendo roupas, então, ela comprou de mim as almofadinhas para descanso do pescoço e levou na viagem. Ela me mostrou o roteiro que faria lá. Durante os almoços e intervalos na escola, ela falava da viagem. Infelizmente, foi e não voltou”, lamentou Nadynne.

Balões brancos foram lançados em direção ao céu, ao final da homenagem – Arquivo Pessoal/ ND

Débora planejou a viagem por muito tempo. É que o sonho da filha dela – Karoliny Nascimento de Souza – era ver a neve. Por isso, o Chile foi o destino escolhido. Nesta sexta-feira (23), Karoliny completaria 15 anos. A viagem em família era um presente de aniversário.

Dezenas de pais e alunos compareceram à homenagem na escola. O clima de tristeza no Espaço da Criança foi estarrecedor e a presença de tanta gente demonstrou o quanto Débora era querida e fará falta.

Um dos pais, Jonatan Haertel, 29, era um dos mais emocionados. “Eu sou muito grato por tudo o que ela fez pela minha filha. Ela estava sempre de prontidão para ajudar todas as pessoas. O prazer que a gente tem de falar dela equivale ao mesmo prazer que ela tinha de nos atender”, disse Haertel.

Algumas pessoas vestiram preto em sinal de luto. Uma roda foi formada em volta da supervisora Luciane de Oliveira que conduziu a homenagem. Ao fim do discurso da supervisora, um silêncio ensurdecedor prevaleceu por alguns instantes até que Luciane perguntou se mais alguém gostaria de homenageá-la. Relatos emocionados foram feitos sobre a “tia Débora”, também identificada como um ser de “pura luz”.

Balão com a frase “Pra sempre Débora” “regado” de muita luz como as pessoas a descreviam – Vinicius Dias / ND

A canção Trevo de Quatro Folhas, de AnaVitória – música preferida de Débora – fez parte da homenagem. Por fim, balões brancos foram soltos em direção ao céu, embalados pela música Trem-bala, de Ana Vilela. Intenções de boas energias foram enviadas à querida “tia Débora”.

Confira o discurso da supervisora Luciane de Oliveira para Débora:

*Com supervisão de Schirlei Alves

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