Voluntários, um passo à frente!

A importância dos pequenos gestos em favor da comunidade, sem esperar nada em troca a não ser a satisfação do dever cumprido

A quantos filmes você já assistiu, cinéfilo leitor/atenta leitora, em que algum sargento durão pronuncia a frase do título dessa crônica? Se for um drama de guerra, provavelmente vários soldados darão o tal passo à frente, oferecendo-se para a batalha; aí, claro, o sargento escolherá aqueles cujos nomes aparecem nos créditos do filme. Já no caso de uma comédia, vi diversas vezes a cena em que o pelotão inteiro dá um passo para trás, deixando o covarde recruta como “voluntário”; se tudo correr de acordo com o roteiro comum das comédias, ele retornará da batalha como herói, nos braços da mocinha.

Mas essa crônica não tem o objetivo de discorrer sobre cinema. O tema aqui é o voluntariado na vida real. Cidadãos comuns se oferecendo para ajudar numa tarefa nobre. Pode ser o esforço de resgate de vítimas de uma catástrofe, como um terremoto ou uma inundação. Recorro ao cinema para exemplificar, tomando como modelo o filme “O Impossível”, sobre o drama de uma família vítima do tsunami de 2004 no Sudeste asiático. Os hospitais e centros de acolhimento na Indonésia e demais regiões afetadas viviam abarrotados de vítimas – e de voluntários ajudando no que fosse necessário e possível.

Os russos protagonizam uma ação de solidariedade há vários anos, num projeto chamado “Exploração”. O objetivo: localizar restos mortais de soldados mortos durante a Segunda Guerra, para tentar identificá-los e devolvê-los aos descendentes. A tarefa, já difícil pela própria missão em si, assume ares de perigo quando, além de um corpo, os escavadores topam com artefatos como minas ou granadas não detonadas. Já morreu gente assim.

Você, que agora está lendo essa crônica, já foi voluntário em alguma coisa na vida? Se foi ou ainda é, sabe como essa atitude é gratificante. Pode ser uma iniciativa simples, como retirar entulho dos cursos d’água ou vasculhar terrenos baldios em busca de focos de mosquito. Se for estudante do ensino médio, participar das ações do seu colégio (lembro-me de como meus filhos voltavam cansados e satisfeitos das visitas que faziam a comunidades carentes). Ainda para crianças e adolescentes, há os grupos escoteiros, onde atitudes voltadas ao bem comum também podem ser divertidas.

Aqui pelas cidades da região há centenas de entidades empenhadas em organizar os voluntários. Conheci nesta semana a pequenina e maravilhosa Associação dos Voluntários da Maternidade Darcy Vargas. Bem na entrada, onde antigamente funcionava a lanchonete, 14 pessoas dedicam algumas horas da semana ao trabalho de oferecer algum apoio às famílias que ali chegam para o grandioso momento do nascimento. Transformando malhas em camisolas, selecionando donativos, organizando o brechó ou comprando medicamentos, esses anjos de carne e osso dão sua parcela de colaboração no esforço de deixar a cidade mais humana. Sem ganhar nada por isso, além da satisfação de ver uma família feliz, mamãe de camisola nova amamentando seu bebê também de roupinha bonita (confeccionada pelas voluntárias do Mutirão do Amor).

Dê um passo à frente agora mesmo, caro leitor e querida leitora. No seu bairro há, com certeza, alguma oportunidade de ser voluntário pelo bem da comunidade. Avante!