Gestão no desconhecido

Nos últimos eventos virtuais dos quais participei, uma pergunta é recorrente: como a Capital de São Paulo e cidades do ABC já anunciam que no próximo dia 27 serão retomados teatros, cinemas, salas de espetáculo, eventos culturais e academias de ginástica? O que afirmo é que, neste momento, é fundamental “fazer gestão” mesmo trabalhando com o desconhecido, com a incerteza.

Em São Paulo, o governador João Doria escolheu o caminho das “adaptações” para fazer essa gestão, traduzida no Plano São Paulo de retomada, que estabeleceu cinco fases e sua aplicação de acordo com os Departamentos Regionais de Saúde: da mais crítica, vermelha, à de normalidade, azul. São Paulo Capital e o ABC atingiram a fase amarela e, por isso, poderão reabrir casas de espetáculo e fazer eventos culturais de menor porte.

Mas a gestão no desconhecido permite também gerir o comportamento do vírus, por isso as cores estão relacionadas aos fatores de transmissão, hospitalização, UTIs, letalidade – tudo isso fez surgir uma métrica, à qual se somam graus de contaminação, isolamento/aglomerações, impactos socioeconômicos e empregos.

E a partir daí ações de gestão e resultados se integram: o Estado ampliou o número de UTIs de 3.500, no início da pandemia, para 7.610 em 100 dias; com isso, na segunda semana de julho tinha 64,3% de ocupação de UTIs: e assim a partir daquela semana foram redistribuídos em diversas regiões – em especial da fase vermelha – 1059 respiradores para 67 municípios, além de 50 ambulâncias com suporte para pacientes graves; com a Capital na fase amarela, foi possível que pacientes da região de Campinas e Piracicaba, fase vermelha, pudessem ser atendidos no Hospital de Campanha do Ibirapuera, cuja ocupação caiu para 55% (138 pacientes).

Também faz parte do processo de gestão a notícia de que a plataforma para triagem de voluntários para o teste da vacina chinesa para Covid-19 que está sendo desenvolvida pelo Instituto Butantan teve 600 mil acessos até quarta-feira – serão selecionadas nove mil pessoas de SP e outros quatro estados. E nesta semana o Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas passou a utilizar dez respiradores desenvolvidos pela Escola Politécnica Universidade de São Paulo (Poli-USP).

É essa mesma lógica de gestão que fez a WEG responder tão rapidamente, adaptando sua linha de produção para fazer respiradores, assim como inúmeras outras empresas, entidades e algumas universidades catarinenses.

Porém, importante lembrar que fazer gestão no desconhecido requer em primeiro lugar iniciativa, depois competência, disposição para o diálogo e, especialmente, um sentido visionário. Aliás, sem isso não há gestão – nem no desconhecido, nem no conhecido.

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