150 dias para (re)aprender

A educação é, por si só, uma empreitada que exige a máxima doação daquele que se envolve. Imagine, no entanto, que o desafio agora é ainda maior: além de ensinar e aprender conteúdos e aspectos didáticos, é preciso reaprender a base. É preciso revisar, de ponta a ponta, o processo de interação do qual a sala de aula é palco.

Sem aviso, as circunstâncias transformaram uma vez mais o olhar do profissional e do estudante – esse que, por natureza, já está em constante mudança, devido ao aprendizado – e fez com que precisasse prestar atenção a uma das bases mais primárias do processo educativo: a comunicação.

Em cerca de 150 dias de pandemia, isolamento e novos hábitos, após um baque inesperado a todos, os integrantes do processo vêm buscando a sua reinserção dentro do que parecia tão óbvio.

Foi preciso desenvolver mais foco, atenção e prontidão para não se deixar cair em distrações; foi preciso fazer escolhas, enquanto usuário, para uma adaptação assertiva de todo o aparato tecnológico disponível; um entendimento bruto da nova realidade, que teve de nascer às pressas, dentro do possível; e, antes de tudo, uma disposição para lidar com o diferente, do qual normalmente nos esquivamos.

O desafio da distância, agora dimensionado para o âmbito da educação, obriga os professores a reverem suas didáticas e práticas pedagógicas, por exemplo. No entanto, há coisas que não mudam, independentemente do formato de aulas. Dentre elas, o fato de que educação é um caminho de mão dupla e depende de todos os envolvidos para que funcione. Em outras palavras, isso quer dizer que os alunos também precisaram se reinventar.

Quando os educadores passam a, todos os dias, bater na porta de cada estudante, também ele passa a decidir como abrirá os ambientes de sua casa aos recém-chegados, escolhendo se o fará com presteza e entusiasmo ou com desânimo para encarar as mudanças. É, enfim, um esforço conjunto – que engloba escola, família, alunos –, todos no intento de compreender o processo de reinvenção, diante das nuances e desafios de uma pandemia no século XXI.

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