A força do campo

Desde agosto, quando o Estado si­nalizou o aumento do imposto sobre defensivos agrícolas e cri­ticou o uso desses insumos, tornou-se indispensável defender a agricultura ca­tarinense. Mais do que isso, é fundamen­tal, nesse momento, mostrar a relevância desse setor para o desenvolvimento de Santa Catarina.

A agricultura é responsável por 29% de toda a riqueza produzida em Santa Catarina (PIB). Além disso, 67% de todo o produto catarinense exportado vêm do campo, como carnes e legumes.

Para alcançar esses percentuais expressivos, produtores e instituições têm investido em tecnologia e pes­quisa para ampliar a produtividade, como sistemas que aplicam melhor os insumos, defensivos mais eficientes e menos prejudiciais à saúde dos traba­lhadores e plantas mais resistentes a pragas.

Um exemplo é a nossa produção de maçã. Em 2009, Santa Catarina colhia em média 31,4 toneladas por hectare. Quase uma década depois, em 2017, fo­ram 41,9 toneladas, segundo dados do IBGE. O avanço também ocorreu no fa­turamento. Há dez anos, o valor da pro­dução era de R$ 394,7 milhões, pulando para R$ 729,5 milhões em 2017. No pe­ríodo, a área plantada diminuiu 21,7%. Um parêntese aqui: mais de 80% dos produtores da fruta são famílias com pequenos sítios de até cinco hectares.

É preciso ressaltar que não hou­ve aumento no número de defensivos para elevar a produção. O uso dessas substâncias no país caiu 12,5% de 2013 a 2017. Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Brasil consome menos defensivos por hectare culti­vado (kg/ha) do que países como Ho­landa, Bélgica, Itália, Portugal, Irlanda, Suíça e Eslovênia.

Sem tecnologia, insumos mais so­fisticados e pesquisas, a produtividade da maçã e de outras culturas não esta­ria nesse patamar. Antes de aumentar impostos e criticar o uso de defensivos, o Estado precisa conhecer a economia e o modelo de produção catarinense e investir em programas que ampliam a produtividade e a qualidade dos nos­sos alimentos. Colocar em xeque quem produz não é o caminho certo.

A frase do matemático alemão Ge­org Lichtenberg deveria servir de prin­cípio para o governo: “Se queres provar-nos que és competente em agricultura, não o proves semeando urtigas”.

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