A metrópole verde e azul

Nos debates sobre Florianópolis, ainda pouco se fala sobre seu natural e devido papel de metrópole-Capital de SC. Ainda que a maior função da cidade seja constitucional, única e distinta das demais 294 cidades catarinenses, muito mais se discute em Florianópolis sobre os papéis para si mesma – sua qualidade de vida, seus desafios de desenvolvimento sustentável, autonomia e organização em seu sensível e limitado território.

De fato, estes desafios são também os desafios enfrentados por um movimento novo, o Floripa Sustentável, que tem buscado respostas e desenvolvido ações de cooperação concreta na cidade.

Fundado a partir de reuniões de cidadãos conscientes e entidades tradicionais, o movimento tem conseguido estabelecer convergências aonde antes havia desconfiança e divergências. E este é o caminho que pode e deve ser seguido: o do desenvolvimento negociado e transparente. Um caminho árduo de amadurecimento, conscientização e diálogo.

Florianópolis, que não fora uma cidade rica como Porto Alegre e Curitiba, teve um papel heroico no desenvolvimento institucional do Estado, exercendo as pré-condições públicas para o sucesso da “experiência econômica catarinense” e, por essa razão, a Capital já foi líder inconteste de SC, status que em parte perdeu, paradoxalmente, na medida do desenvolvimento das “capitais regionais”.

Há, pois, que se refletir sobre a necessária identidade da Capital para os tempos atuais. Movimentos da sociedade ajudam, mas tanto Executivo como Legislativo estadual precisam abraçar os sentidos de atualização desse papel de cidade-Capital.

Também vale lembrar os papéis históricos da UFSC e Udesc, com efeitos extraordinários – e lamentar que nas últimas décadas a convivência delas com a cidade tenha se reduzido.

Tomemos exemplos simples, como na Cultura, com o nosso Centro Cultural, o CIC, e sua proporção relativa ao tamanho da cidade, na década de 80, e hoje “menor” do que ela; ou no grande impacto do Centro de Convenções na década de 90 e hoje, se comparado ao Centro de Eventos de Balneário Camboriú. São materializações do que ocorreu com as baixas pretensões da Capital, que tem o azul de um mar sem marinas e o verde dos parques naturais com poucos visitantes.

Este artigo não pretende esgotar o assunto, mas sim fomentar ainda mais o diálogo sobre o patamar que buscamos. Sobre esse patamar, lembremos de como era a chegada no velho Aeroporto Hercílio Luz, o pior do Brasil, e o seu tímido acesso à cidade; e o que temos hoje, um cartão de visitas que encanta qualquer um. E, em breve, teremos voos intercontinentais, com todo o simbolismo da ligação direta com o mundo: sejam bem-vindos à metrópole verde e azul.

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