Annita, a superlativa

Tive a ventura e a felicidade de ser amigo de Annita Hoecpke da Silva, figura ímpar e de uma sensibilidade que externava por todos os poros. Tinha a facilidade de conquistar o afeto e a simpatia das pessoas logo nos primeiros contatos. Com ela aprendi a perseguir sem esmorecer tudo que julgava ser de meu direito.

Sinto, como todos sentem, a perda irreperável dessa mulher, que como poucos amou a cidade que a viu nascer, a nossa Florianópolis, na qual viveu até que faltassem apenas sete dias para completar 84 anos de idade.

Mulher de fibra, criou o Instituto Carl Hoepcke a partir de ideia surgida numa conversa com sua irmã, Sílvia. Uma e outra tiveram a grandeza de destinar o velho casarão da Avenida Trompowsky, em que moraram com os pais a partir de 1937 e até casarem, para sediar esse centro de saber e de cultura.

Graças à sua fibra, em poucos anos o Instituto tornou-se referência nacional, estreitando laços de amizade entre Brasil e Alemanha.
Ainda pequena, viu despertar seu interesse pela política ao ouvir as conversas de seu pai, então governador, com políticos que acorriam à sua casa.

Aos 18 anos, ela o representou num comício no interior da Ilha, falando em seu nome. Num instante, a convidaram a disputar uma vaga na Câmara de Vereadores. Aderbal e Ruth cortaram as suas asas.

Anos depois, recebeu convite de Jorge Bornhausen para candidatar-se à Assembleia Legislativa ou à Câmara Federal. Pesarosa, declinou da proposta porque questões relacionadas à divisão das empresas familiares, então em pauta, foram consideradas prioritárias para si e para seus filhos.

A música sempre correu em suas veias como um bálsamo sublime a enaltecer. Tinha verdadeira paixão pelas canções brasileiras, italianas e francesas, estas pela ascendência familiar com a França, país de origem de sua bisavó paterna.

Nos últimos anos, exercitava sua voz com um pianista contratado para ir semanalmente à sua residência. Já tinham entrado para o calendário da cidade os Saraus de Natal que promovia em todos os dezembros na sede do ICH.

A dimensão de Annita é superlativa. Sua falta haveremos de sentir por todo o sempre, a cada vez que lembrar-mos dos seus embates em favor de Florianópolis.

O último deles, aliás, não viu cumprido por questõs burocráticas da máquina pública. Refiro-me a uma auditório subterrâneo que construiria na área fronteira à sede do Instituto, cujo projeto estava desde há muito concluído.

Annita leva consigo uma benção oriental que, pouco antes de falecer, disse que gostaria de tê-la em sua companhia:
“Que o sol brilhe sempre diante de ti.
Que o caminho seja firme sob teus pés.
Que o vento ajude a tua caminhada.
Qua a chuva caia mansa sobre teus campos.
E que Deus te guarde na palma de Sua mão”.
Querida Annita: que tenhas, onde estiveres, a paz que mereces ter.

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