As estradas de ferro eram a internet do século XXI

Em 1854, a Estrada de Ferro de Petrópolis era inaugurada. A primeira ferrovia do Brasil conectava a região produtora de café na serra fluminense à Baía de Guanabara. Seu objetivo era garantir mais agilidade e reduzir as perdas de mercadoria no transporte, que era feito por tração animal.

Foi construída por Irineu Evangelista de Souza, um comerciante bem sucedido, de origem humilde, que se tornou o primeiro grande empreendedor industrial brasileiro, ao investir na implantação da primeira fundição de ferro do País. Mais tarde, conhecido como o Barão de Mauá. Um indivíduo capaz de enxergar o futuro e concretizar sua visão, mesmo diante de grandes adversidades.

Principal agente catalisador da modernização e do progresso industrial e comercial do Brasil, foi pioneiro na adoção de tecnologias de ponta, na aplicação de métodos de gestão descentralizada e no desenvolvimento de empreendimentos de grande impacto.

Fundador do primeiro banco privado do Brasil, alavancou seu sucesso empresarial concedendo crédito e apoio logístico para seus colaboradores criarem novos negócios, nos quais tinham participação nos lucros. Assim, chegou a controlar 17 empresas (8 entre as 10 maiores do País), participou de outras ferrovias e realizou a instalação do cabo submarino telegráfico entre Brasil e Europa – que lhe rendeu o título de Visconde.

Durante toda a sua vida, defendeu uma nova ordem econômica e social, baseada no valor do trabalho e na livre iniciativa. Sua biografia nos ensina valiosas lições sobre inovação e resiliência, tão relevantes no contexto atual, em que mudanças nos padrões sociais e nas dinâmicas de mercado assemelham-se às do século XIX. Um novo normal está surgindo, com impactos ainda imprevisíveis para a economia e as empresas.

Superar a crise atual e liderar a retomada depende da capacidade de adaptação das empresas às novas tendências, com estratégias de inovação e processos de gestão e governança que constituam um novo diferencial competitivo. Inovação é tão recente quanto as estradas de ferro. Operar iniciativas com eficiência e antecipar as necessidades do mercado, como fez Mauá, é o real desafio – hoje e sempre.

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