Câncer de mama: ciência e solidariedade andam juntas

Quem trata da questão do câncer de mama todo dia sabe como é gratificante transmitir boas notícias para as pessoas. Algumas das novidades positivas vieram do 23º Congresso Brasileiro de Mastologia, realizado em abril, com nossa regional de Santa Catarina à frente da organização do evento da Sociedade Brasileira de Mastologia.

Debatemos temas fundamentais e práticos com 28 especialistas da Europa, Estados Unidos e Índia, o maior número já reunido em um evento nacional sobre câncer de mama, com mais de 2.300 pessoas conectadas virtualmente.

A questão do rastreamento e do melhor período para as mulheres começarem a realizar a mamografia, por exemplo, é uma polêmica mundial. Com relatos de diferentes experiências, firmamos nossa convicção de que, para a realidade brasileira, o indicado é iniciar aos 40 anos, com periodicidade anual. Com isso, podemos detectar o problema cedo, evitar casos mais graves e aumentar as chances de cura.

São promissoras as notícias sobre vacinas para o tratamento do câncer de mama. Seu uso ainda não está liberado, contudo, são muito boas as perspectivas para os casos de tumores agressivos, na chamada imunoterapia.

Também merece destaque a importância de se investigar a predisposição genética para melhor proteger as mulheres. Sobre o tema, o encontro proporcionou a troca de informações com os mais destacados geneticistas norte-americanos.

A pandemia prejudicou muito a prevenção e o acesso ao tratamento. No ano passado, estima-se que 75% das mulheres deixaram de fazer seus exames de rotina. E aqui cito a iniciativa solidária e vitoriosa da Sociedade Catarinense de Mastologia, com a campanha Movimento Rosa, realizada de outubro de 2020 a março deste ano e que, esperamos, tenha sido a primeira de muitas.

Com apoio da iniciativa privada, oferecemos gratuitamente dos exames preventivos até o tratamento completo do câncer de mama a mulheres de baixa renda com mais de 40 anos, nos municípios da Grande Florianópolis, Joinville, Blumenau, Chapecó, Lages, Itajaí, Criciúma, Tubarão e Mafra. Foram feitas 960 mamografias, 915 consultas, 91 ultrassonografias e outros exames, 21 biópsias e 10 cirurgias.

Apesar da gravidade da doença que mais atinge as mulheres no país e no mundo, esses são exemplos de como a ciência, a conscientização e a solidariedade, juntas, trazem esperança.

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