Conto de fadas olímpico

Em meio à pandemia da Covid-19, aliado a um clima de tantas incertezas, eis que os Jogos Olímpicos de Tóquio vem para trazer um pouco de alegria e por que não dizer esperança para a população mundial, em especial, para nós brasileiros.

A delegação brasileira conta com mais de 300 atletas em Tóquio. No total, o maior evento poliesportivo do mundo recebe a presença de cerca de 11 mil atletas de 204 países.

Nesse cenário gigantesco, personagens marcantes como a “Fadinha do skate”, Rayssa Leal, de 13 anos – medalhista brasileira mais jovem da história das Olimpíadas, e o primeiro campeão olímpico da história do surfe, Ítalo Ferreira, nos trazem importantes mensagens, que vão muito além da conquista da medalha olímpica.

Natural de Imperatriz do Maranhão, Rayssa começou sua trajetória após um vídeo dela viralizar na internet, fazendo manobras vestindo a fantasia de uma fada. Já em Tóquio, brilhou dentro e fora das pistas, com seu carisma e sua alegria genuína da infância, conquistando a medalha de prata, na categoria skate street feminino.

E, mais, conquistou o coração de milhões de brasileiros em um esporte até então pouco consagrado e muitas vezes renegado pela sociedade, gerando repercussão até na mídia internacional.

E o que dizer do surfista profissional Ítalo Ferreira, nascido e criado em Baía Formosa, uma cidade com cerca de 9 mil habitantes, no litoral do Rio Grande do Norte? De origem humilde, aprendeu a surfar em uma tampa da caixa de isopor do pai que vendia peixes, driblou as dificuldades, acreditou no seu sonho e conquistou o inédito ouro olímpico no surfe.

Registros históricos apontam que, na Grécia antiga, berço da fundação das Olimpíadas, a vitória nos Jogos consagrava o atleta e proporcionava glória também para a sua cidade natal. Já o Barão Pierre de Coubertin, Pai da Olimpíada Moderna, aclamaria o esporte como instrumento de paz entre os povos.

De lá para cá, muita coisa mudou, mas a essência do esporte como instrumento de inclusão social se mantém, e pode sim vir a transformar a realidade de muitas pessoas, principalmente em um país de tantas desigualdades e de alta vulnerabilidade social como o Brasil.

Que venham mais fadas Rayssas e Ítalos, nos emocionando com suas histórias de superação, fazendo acreditar mesmo que, por um breve momento, em um conto de fadas da vida real.

+

Artigos