Crédito: uma difícil saga

Historicamente, mais de 80% das micro e pequenas empresas que buscam os bancos não conseguem ter acesso ao crédito. E pasmem, no período de pandemia do coronavírus, quando o segmento precisa ainda muito mais, o percentual saltou para 89%.

Os dados são da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas (Conampe), onde também ocupo uma vice-presidência. A partir desta dura realidade, elaboramos um documento propondo ao Governo Federal iniciativas para destravar o acesso ao crédito para o segmento.

Uma série de medidas trabalhistas, renegociação de contratos com bancos e com fornecedores, além de possíveis futuros Refis, ajudam. Mas é urgente e vital o dinheiro para que o empresário mantenha seu negócio ativo, gerando empregos e renda. Só em Santa Catarina, somos responsáveis por 91% dos empreendimentos e por 57% dos empregos formais.

É preciso destinar a maior parte do Pronampe, recentemente sancionado pelo presidente, para as microempresas que não foram atendidas por nenhuma linha até o momento. Que leve-se em conta os não correntistas dos bancos operadores oficiais, com sugestão de atender no mínimo 70% destes não correntistas, para que os recursos cheguem a quem realmente necessita.

Não considerar uma série de restrições, como no SPC/SERASA, CADIN e Banco Central, devido à situação emergencial dos empreendedores. Sobre o fundo garantidor previsto, é importante identificar e esclarecer se a garantia de 85% da operação é sobre o capital ou valor contratado.

No Estado, o governo fez seu papel ampliando o Juro Zero de R$ 3 mil para R$ 5 mil, porém, precisa flexibilizar a tomada de crédito aos empreendedores, através do Badesc.

Nos municípios, a exemplo de Florianópolis, que lançou o primeiro programa de microcrédito municipal e o flexibilizou durante a pandemia, várias outras prefeituras seguiram esse caminho, como Luzerna, Indaial, Imbituba e agora Jaraguá do Sul. Isto é apoio concreto ao empreendedor. Afinal, a crise atual não é de gestão das empresas, nem de origem econômica, mas imposta por uma pandemia inesperada e gravíssima.

01 Comentários

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  • Fernando
    Fernando
    Realmente é vergonhoso os tais " EMPRÉSTIMOS EMERGENCIAIS" que de emergencial não tem nada. Pedem um milhão de informações, garantias e dinheiro que é bom nada. Devem ter muita politicagem e caixinhas, fer por trás disto.

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