Deficiência visual: precisamos romper os preconceitos

Uma pessoa se torna cega a cada cinco segundos no mundo, de acordo com World Report on Disability, o mais completo documento internacional sobre pessoas com deficiência. No Brasil, 45 milhões de pessoas declararam ter algum tipo de deficiência – e, dessas 6,5 milhões são deficientes visuais. As maiores causas de cegueira, segundo a OMS, são a catarata, glaucoma, retinopatia diabética, cegueira infantil e degeneração macular.

Cerca de 90% dos deficientes visuais vivem no Hemisfério Sul, em países pobres ou em desenvolvimento. O mais inquietante é que, em 80% desses casos, a cegueira poderia ter sido evitada. Há, portanto, uma correlação direta entre um sistema de saúde eficiente, no qual as pessoas têm acesso a consultas periódicas, e a boa saúde dos olhos.

Por isso, o grande desafio é avançar nas campanhas de informação e de prevenção. É preciso, ao mesmo tempo, combater todas as formas de discriminação contra as pessoas com deficiência. De todas as barreiras que precisam ser superadas, a mais difícil – sem dúvida – é o preconceito social. A deficiência é, acima de tudo, uma questão social, de inclusão e acessibilidade.

Não faz muitos anos, os deficientes não eram considerados cidadãos plenos – ou seja, não considerados sujeitos de direito. Os movimentos sociais na Inglaterra, na década de 1960 e que se espalharam por vários países, começam a mudar isso.

Em live promovida pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina, no começo do mês, Rodrigo Lima, deficiente visual e servidor da Instituição, afirmou o seguinte: “Construir rampas é muito mais fácil do que desconstruir preconceitos”.

Rodrigo contou um fato aparentemente corriqueiro: ele foi ao supermercado comprar algumas coisas – um amigo estava com ele. Ao chegar ao caixa com os produtos, a atendente dirigia-se somente ao amigo, que não tinha comprado nada, como se Rodrigo fosse incapaz de entendê-la. É esse tipo de barreira que precisamos romper.

O assunto está sendo lembrado por causa de uma efeméride: dia 13 de dezembro, domingo, é do Dia Nacional do Cego. A data é importante para se discutir as formas de prevenção da doença e também para se debater a questão do preconceito e as questões sociais envolvidas. Caso contrário, será só mais uma oportunidade perdida.

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