Economia catarinense: nosso passado garante nosso futuro?

A força da indústria é condição necessária ao desenvolvimento, porque nela residem as maiores possibilidades de inovação, da geração de mais altos salários e de competitividade pouco vulnerável à preços internacionais de commodities.

A indústria catarinense responde por ¼ do PIB, patamar próximo a países de excelentes desempenhos como Coreia do Sul, Taiwan e Singapura, mas longe do Brasil.

Para essa força industrial contribuiu nossa migração, ao dotar o território de espírito empreendedor que se aproveita de conhecimentos compartilhados para fazer emergir empresas portadoras de novas soluções, revigoradoras de nossa capacidade competitiva. Weg, whirpool e Engie, por exemplo, estão recheadas desse espírito. A história mostra, todavia, que ter indústria forte é condição necessária, mas não suficiente.

Economias avançadas souberam estimular o crescimento das capacidades inovadoras de suas empresas adequando suas instituições de apoio às mudanças contemporâneas. Sistemas de inovação daí emergiram, via processos de interação eficazes, sempre sob a visão, intencionalidade e capacidade de lideranças de uma instituição legitimada pelo conjunto.

Nem sempre o Estado foi o líder. Mas, sempre esteve lá, como parte decisiva do mais diverso conjunto de problemas que, necessariamente, surgem do processo.

Para Santa Catarina, uma boa notícia é o Projeto Travessia da Fiesc vem buscando integrar agentes de diferentes ecossistemas do Estado, de forma a induzir uma transformação das empresas para uma lógica de ação mais inovadora.

Já o setor público carece de uma instituição de Planejamento moderna, capaz de combinar Data Science com o intelecto humano, por exemplo, de modo a elaborar e fazer valer uma visão crível de transformação econômica, e assim, engajar seus demais instrumentos (financiadores, secretarias, universidades, etc..) em ações que contribuam para minimizar o risco empresarial em projetos agressivos de inovação.

Enfim, a força da indústria foi causa do desempenho até aqui. Mas isso não garante o futuro. Para competir com China e emergentes é preciso inovação institucional condizente com a velocidade das transformações produtivas e tecnológicas do nosso tempo.

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