Em defesa do jornalismo de qualidade

No final da década de 1970, durante quase cinco anos, eu frequentei o prédio da antiga Universidade do Brasil, na Praia Vermelha (RJ), onde funciona a Escola de Comunicação (Eco) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Era o auge da ditadura militar.

O governo proibia a formação de centros acadêmicos em universidades federais. Organizamos o Treco (Teatro de Resistência da Eco) e, entre um ensaio e outro, debatíamos sobre formas de contribuição para o processo de redemocratização do país.

O clima era pesado. Alguns colegas optaram pela luta armada. Por ser um centro de formação de alto nível, de futuros jornalistas, a Eco era muito visada pelos comandantes de plantão. Comecei a trabalhar no então gigante Jornal do Brasil.

Ainda havia censura nas redações, determinados temas não podiam ser abordados. Depois vieram as grandes manifestações públicas pela anistia, pelas diretas, a eleição presidencial pelo colégio eleitoral, a constituinte. Em todos esses momentos eu estava lá.

Apanhei da polícia, chorei com gás lacrimogêneo, passei noites em claro comendo pizza fria nas portas das CPIs, queimei a careca pegando sol na porta do Alvorada para ouvir uma frase de autoridade. Sou forjado na luta, não tenho medo de cara feia. Por isso não hesitei quando a Deborah Almada me convocou para ocupar a diretoria de Proteção e Defesa da Liberdade de Imprensa da nossa ACI (Associação Catarinense de Imprensa).

O momento é delicado. A onda de intolerância alimentada através das redes sociais tem colocado em xeque a nossa atividade. Xingar, agredir e tentar diminuir a importância do papel da imprensa virou uma espécie de “esporte nacional”.  Vamos reagir. Mostrar que se hoje essas pessoas podem se manifestar, é porque existe liberdade de imprensa, pilar de sustentação da democracia.

Estamos preparando ações junto à sociedade para tentar reverter, ou pelo menos estancar essa onda. Vamos retomar articulações com outras entidades.

Não vamos ficar só em “notas de repúdio”. É hora de exigir respeito com milhares de pessoas que saem diariamente de suas casas para oferecer informação de qualidade. De empresários pequenos, médios e grandes que investem no setor há décadas. Somos da imprensa, sim. Com muito orgulho.

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