Fake News e o exército das redes sociais

Foi-se o tempo que a fofoca dependia de encontros presenciais para ser disseminada e, até por ser propagada em voz baixa, se espalhava lentamente. Nas redes sociais, habitat de formadores de opinião e digital influencers – como consta no campo “ocupação” em alguns crediários da cidade, a velocidade de disseminação de conteúdo é quase que instantânea: em questão de minutos, uma população inteira pode ser apresentada a determinado assunto, especialmente os constrangedores.

A dinâmica é a seguinte: um “influenciador” publica determinado conteúdo e seus “seguidores” se encarregam de impulsioná-lo. Eis que aqui entra a lição de Sun Tzu: uma vez que o Imperador-Influenciador dá a ordem aos seus generais-seguidores, ele perde a capacidade de fazer seu exército recuar.

Verdade seja dita, é bem raro que os chamados “Imperadores” recuem. O que se verifica no cotidiano é que mera investida pública é o suficiente para motivar uma horda de seguidores contra determinado indivíduo, munida de todo tipo de ofensas e acusações.

No âmbito das notícias falsas, contudo, depois de publicada a notícia e diante de eventual repercussão negativa, é comum que o autor se retrate e até apague a publicação inicial. A lesão à personalidade alheia, todavia, já foi iniciada, e não há mais como impedi-la. O exército simplesmente não acata a ordem de recuar, seja por não recebê-la, por não respeitá-la ou por simplesmente avaliar que não tem nada a ganhar com isso.

Do ponto de vista jurídico, as soluções são pouco satisfatórias: eventual indenização por dano à imagem raramente compensa o constrangimento; a retirada compulsória da publicação parece surtir efeito contrário, na medida em que a proibição de determinado assunto apenas aguça a curiosidade das pessoas; e a retratação, como visto, infelizmente não vincula o exército inteiro, que segue livre para disseminar o conteúdo.

A reflexão que se propõe, portanto, é clara: em tempos de redes sociais, determinados erros simplesmente não podem ser consertados. Antes de fazer uma fofoca, por isso mesmo, é bom lembrar que o megafone está sempre ligado.

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