Floripa, sem mais tempo a perder

A geração que hoje se encontra no auge da sua capacidade de trabalho acabava de nascer ou estava nascendo quando, em 1º de setembro de 1989, o inesquecível jornalista Beto Stodieck escrevia em sua coluna: “O IPUF finalmente aprovou na tarde de ontem, sem ressalvas ressalve-se, o projeto que o consórcio de empresas – Kobrasol, Cassol, Koerich, Pedrita e Portobello – desenvolveu pra decantada marina da Beira-Mar Norte”. E vaticinava: “Agora sai, sim”.

Trinta e um anos se passaram. E, nesta semana, novamente nós manezinhos de nascimento ou por adoção repetimos as comemorações do Beto, com a aprovação do edital de licitação da Marina pelo Tribunal de Contas.

Uma luta de três décadas, da qual muitos participaram, e em nome de todos eles, o Floripa Sustentável agradece ao prefeito Gean Loureiro, ao presidente do TCE, Adircélio de Moraes Ferreira Júnior, e aos conselheiros José Nei Ascari, Wilson Wan-Dall, Luiz Roberto Herbst e Cesar Fontes.

Sim, merecemos comemorar muito, mas não podemos esquecer que, no final da nota de 89, Beto Stodieck lembrava que as forças do atraso consideravam a obra “coisa de burguês”. De lá para cá, essas forças – uma minoria ruidosa, organizada e militante – ganharam ímpeto.

Nesses 30 anos, o desenvolvimento sustentável, legal e organizado da cidade foi paralisado, em favor do crescimento desordenado de invasões, grilagem de terras, construções irregulares e da proliferação de favelas sobre áreas de preservação ambiental e em áreas de risco.

É preciso dizer que Marina não é “coisa de burguês”. Marinas são um dos equipamentos turísticos e urbanos litorâneos que mais geram emprego e renda. Cada barco gera de seis a oito empregos diretos e dez indiretos, afora todos os impactos positivos do próprio turismo em outros 53 setores da economia.

Como diz o nosso ex-ministro Vinícius Lummertz, “o desenvolvimento é moral”, ou seja, é amoral, imoral e até um crime de lesa-trabalhador não criar essas oportunidades para milhares de famílias e, especialmente, para os filhos dos nossos pescadores, cuja vocação é o mar.

Temos uma trabalhosa e árdua luta pela frente até a concretização do sonho da Marina, que passa por audiências públicas e licenciamentos. A cidade precisa estar mais unida do que nunca, trabalhadores, empreendedores, poder público e entidades, para que o frustrado vaticínio do nosso querido Beto não se repita. “Agora vai sim”, porque Floripa não tem mais tempo a perder.

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