Gênero e Educação

Uma das formas de dominação, que consiste na “relação entre um grupo social, considerado superior, sobre um grupo subordinado, considerado inferior”, é o patriarcado. Em sua configuração ideológica, “o patriarcado sugere que homens têm o poder em todas as instituições importantes da sociedade e que mulheres são privadas de acesso a esse poder” (Gerda Lerner).

O mundo idealizado e explicado pelo homem – no centro do discurso – omite a mulher como participante da formação de sistemas de ideias, e é bem exemplificado pela utilização do vocábulo “homem” para incluir a “mulher”, como forma de representar discursivamente toda a humanidade. É a mesma lógica do vencedor quando conta a história da guerra vencida.

Com a guerra contra a Covid-19 escancarando a violência contra a mulher em diferentes e amplas dimensões, convém também aproveitar essa oportunidade para denunciar a necessidade de uma nova compreensão do mundo, com o objetivo de transformá-lo. Na sociedade patriarcal em que vivemos, as relações de gênero reclamam a adoção de ações e instrumentos afirmativos, voltados, exatamente, à neutralização das situações de desequilíbrio (STF-ADC-19-DF).

A discriminação, com seu ápice nas violências física, psicológica, moral, sexual e patrimonial contra as mulheres, deve ser eliminada pelo Estado, mas acima de tudo pela própria sociedade, começando por cada um de nós. E é através da educação que a sociedade luta contra a discriminação e modifica seus costumes e suas práticas.

Por isso os temas sobre gênero e orientação sexual devem ser abordados não só em casa, no espaço do privado, mas também nas escolas, no espaço do público. Dizer o contrário viola “os princípios da liberdade, enquanto pressuposto para a cidadania; da liberdade de ensinar e aprender; da valorização dos profissionais da educação escolar; da gestão democrática do ensino; do padrão de qualidade social do ensino; da livre manifestação do pensamento; e da livre expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”(STF-ADPF 460-PR; ADPF 457- GO; ADPF 526-PR).

Para que haja uma participação das mulheres mais igualitária em “todas as instituições importantes da sociedade” é preciso que a educação inclua o pluralismo das ideias, ensinando a igualdade de gênero, as liberdades individuais e o combate das visões sectárias e discriminatórias, rompendo-se, em suma, com o patriarcado.

Isso porque “a organização das sociedades em todo o mundo ainda está longe de refletir com clareza que as mulheres têm exatamente a mesma dignidade e idênticos direitos que os homens. As palavras dizem uma coisa, mas as decisões e a realidade gritam outra” (Papa Francisco).

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