Inovações não vêm com manual de instrução

Confesso que fiquei muito emocionado mesmo na abertura da São Paulo Boat Show, que se encerrou ontem às margens de um largo artificial junto à raia de remo da USP, na Cidade Universitária, no coração da maior metrópole da América Latina.

Não me emocionei apenas porque a feira exibe toda a pujança da indústria náutica catarinense, a maior produtora de barcos de lazer do país, mas também porque o Rio Pinheiros, condenado à morte nas últimas décadas, simplesmente ressuscitou em frente aos nossos olhos, com centenas de pessoas praticando esportes náuticos, gente passeando em barcos, uma festa espontânea que mostrou São Paulo novamente “de frente” para esse rio, comemorando sua volta à vida.

Esse renascimento é fruto de um plano do governador João Doria, que vai investir R$ 1,5 bilhão para devolver o Rio Pinheiros limpo para a população até o final de 2022. O projeto Novo Rio Pinheiros prevê intervenções em áreas de todas as sub-bacias dos grandes afluentes
do rio, onde vivem cerca de 3,3 milhões de pessoas. É apenas uma obra de saneamento e de recuperação ambiental? Claro que não.

São Paulo vai ganhar extensas áreas de lazer, gastronomia, esportes, passeios de barco, se transformando numa atração turística ímpar para
brasileiros e estrangeiros, tendo como eixo o próprio Rio Pinheiros. Uma verdadeira revolução.

Mas quero voltar ao São Paulo Boat Show: os desafios impostos pela pandemia têm obrigado a atividade turística a se reinventar. Por isso, considero a iniciativa emblemática e inspiradora, que resultou em um evento sob medida. Sim, a ideia do organizador do evento, Ernani Paciornik, de levar os barcos para a água, como se pode imaginar, surgiu da impossibilidade de apresentá-los em ambientes fechados, como em anos anteriores.

A restrição da pandemia, no entanto, não paralisou seus idealizadores.  Pelo contrário, impulsionou um rico processo de mudanças. Por que não apresentar os barcos ao ar livre, em vez de restringi-los, apenas, ao ambiente virtual? Mais do que isso, seria a raia da USP, na
Cidade Universitária, em São Paulo, um ambiente ainda mais emblemático ao contexto náutico?

Participei de todo o processo para dar corpo a essa ideia e, posso afirmar, não foi nada fácil. Inovações não surgem com manual de instrução. É a vontade de realizar que materializa ideias, é a construção de uma rede de apoio que acrescenta cada uma das peças necessárias para viabilizar os acordos.

Estão aí, na recuperação do Pinheiros e na realização de um Boat Show “dentro d’água”, boas referência de inovação para a indústria turística de SC, especialmente o setor de eventos e a hotelaria, nocauteados pelo coronavírus. Mas precisamos criar nosso próprio manual de instrução.

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