Integrar é preciso

Decidi compartilhar umas das experiências mais marcantes e impressionantes da minha vida. Mês passado estive na Turquia e visitei o RAF-IHH City, maior orfanato do mundo, que abriga cerca de mil crianças sírias refugiadas que perderam os pais na guerra. Milhões de sírios foram obrigados a deixar suas casas desde que o conflito começou, em 2011. Desde grupo, pelo menos metade são crianças e cerca de 800 mil delas ficaram órfãs. Grande parte dessas crianças vive na Turquia, em cidades como Hatay, próxima da fronteira com a Síria, onde fica o orfanato. Em qualquer lugar do mundo, crianças órfãs são consideradas mais vulneráveis a abuso sexual, podem ser forçadas a casar precocemente, se tornarem soldados pata lutarem em guerras e são vítimas do tráfico internacional de crianças. Por isso, em meados de 2013, a fundação turca IHH (Humanitarian Relief Fundation), inaugurou o complexo de 100 mil metros quadrados, com apoio de outras organizações internacionais para dar assistência aos sírios. Na época, a demanda de crianças era assustadora e todos chegavam extremamente debilitados, apenas com a roupa do corpo e psicologicamente destruídos. O complexo foi construído como uma vizinhança, para que as crianças traumatizadas pela guerra tenham a chance de retornarem à rotina de uma vida normal. O espaço conta com 55 sobrados, todos equipados com ar condicionado e wifi, centro cultural, biblioteca, quadras de esportes e uma mesquita, onde aprendem sobre islã. Há supermercado, salão de cabelereiro, e quatro escolas. Além disso, elas aprendem inglês e turco, idiomas considerados fundamentais para a integração das mesmas no país de acolhida. A saúde também não é considerada menos importante. Os órfãos mantêm contato direto com a natureza, aprendem a plantar e passam por check ups na clínica do próprio orfanato. Conflitos armados causam problemas emocionais para todos os envolvidos, principalmente para as crianças. Os traumas são sempre relacionados com medo excessivo, estresse e ansiedade. O local possui 168 funcionários, sendo 80 voluntários e especialistas responsáveis por cuidarem do psicológico dos pequenos. Quase todos chegaram no local com problemas sérios, hoje já conseguem viver normalmente. Apesar do governo turco não ajudar financeiramente, há frequentes fiscalizações para checar se as crianças estão recebendo tratamento adequado O orfanato também recebe suporte na questão da documentação dos órfãos para que os mesmos consigam se legalizar no país. Após quase cinco anos estudando e vendo de perto a maneira pela qual os países acolhem e integram os sírios refugiados, posso concluir que a Turquia pode ser vista como exemplo, inclusive para países ricos como os europeus ou o próprio Brasil, extremamente deficiente nesse quesito.

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