Jornalismo e saúde

A comunicação pressupõe credibilidade, identidade e tempo. Porém, como médico penso que muito além das fronteiras impressas em letras, a informação emerge com ritmo capaz de ser minimamente observado e transita por áreas de nossas estruturas orgânicas cerebrais e proprioceptivas. A análise do trânsito da informação em nossas estruturas cerebrais indica utilização, cada vez maior, de áreas secundárias, frente ao processo evolutivo que definiu o sapiens moderno, pós advento da leitura silenciosa e contínua do livro.

Não é mais relatado como risco, mas como realidade, o fato das áreas nobres de nosso cérebro estarem regredindo, por menor número de células, neurônios ou formatação de redes e sinapses. Jovens rápidos, operando no sensorial, com plasticidade diminuída e muita dificuldade ao pensamento que, quando deles exigido ou solicitado, têm como resposta irritação e desinteresse, por absoluta falta de estrutura morfofuncional.

Nesse contexto, penso que, aos jornalistas e a todos os que lidam com a palavra, não apenas com a linguagem, mas também com o letramento, cabe a fundamental função de registrar os valores dos textos de fôlego, com acomodação neuro sensorial.  Assim, por necessidade histórica, temos que nos aproximar para discutir aspectos da novidade tecnológica travestida em modernidade incontrolável que, se não percebida adequadamente, nos manterá na reta da regressão em nosso pensar humano.

Comunicação real, portanto, parece-me ser produto além da interlocução e da intersubjetividade, as quais, na escala do nosso grande aliado, que é o tempo, originam o amor, a grande marca evolutiva e esquecida da nossa espécie.

Faz-se indispensável, então, também para a saúde, o texto jornalístico analítico e culto, para comunicar de fato, filtrar e organizar as notícias que brotam das mídias espontâneas e rápidas, inominadas na maioria das vezes. Esse é o jornalismo necessário, que faz o leitor empaticamente conectado aos textos reflexivos, na lentidão possível do limite da moderníssima biologia do desenvolvimento, capaz de acoplar genética e conhecimento.

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