Lockdown e ineficiência

A justificativa de que é “tudo novo nesta pandemia” não pode ser mais usada. Da mesma forma, o fechamento das atividades econômicas não deve ser utilizado para suprir a ineficiência de planejamento nestes 365 dias de pandemia.

Nesta quarta-feira, completa-se um ano em que o Estado decretou lockdown – na época, tínhamos sete casos confirmados em SC e nenhum óbito. De lá para cá, houve tempo para se planejar, orientar, estruturar a Saúde e criar um programa para auxiliar os setores mais prejudicados.

Mas hoje estamos vivendo o mais do mesmo, com o agravante de que agora temos hospitais lotados, filas em UTIs, mais mortes e mais empreendedores se segurando para não fecharem as portas.

Conforme dados da Junta Comercial do Estado, 2020 foi o ano com o maior número de pedido de falências (76) desde 2006. Além disso, enquanto foram abertos 38,8 mil novos CNPJs (sem considerar MEIs), 47,7 mil acabaram extintos.

Por outro lado, o Estado comemora o aumento da arrecadação de impostos. Em janeiro, foram R$ 3,1 bilhões, alta de 15,1% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em fevereiro, entraram R$ 2,81 bilhões, incremento de 5,7%.

Em 2020, o Estado arrecadou 2,3% a mais do que em 2019.O problema é que esse desempenho não se reflete em investimentos para reduzirmos o impacto desta pandemia. Não precisa ser especialista para saber que, se passarmos por mais um lockdown, como pede o Ministério Público, muitos negócios vão quebrar.

Felizmente o governo catarinense entendeu que o perigo de contágio não está nas empresas. Por outro lado, neste um ano não houve um programa de empréstimos com juros zero e carência para começar a pagar. Na Assembleia Legislativa, começamos a debater nesta semana o Programa de Recuperação Fiscal que o governo mandou para analisarmos.

E, como relator na Comissão de Constituição e Justiça, adianto que a proposta do Estado é muito tímida e não atinge quem está sofrendo. Vamos fazer ajustes.

Além disso, a vacinação caminha a passos lentos e o número de UTIs caiu agora em março. Conforme o Estado, agora temos 1.364 leitos, sendo que em 2020 tínhamos uma media de mais de 1.500. O momento atual exige somente acertos. Não há mais espaço para erros ou mau planejamento. No final, quem pagará é a população.

+

Artigos

Artigo

Sabido e ressabido que “todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou ...