Mariovilhoso

Nasce em Florianópolis, em 31 de maio de 1935, Mário José Gonzaga Petrelli, da primeira cesariana da cidade, consoantes gostavas de afirmar.

Filho do segundo casamento do Engenheiro Leonardo Petrelli e de minha Tia Avó Alice Guilhon Gonzaga Petrelli, irmã da vó Maria da Glória Guilhon Gonzaga Pirajá Martins, mãe do meu pai.

M de Magnífico e Memória Ímpar; A de Astuto e Articulador; R de Realização e Resiliente; I de Inteligente e Impetuoso; O de Obstinado e Oratória

Nasci em 22 de novembro de 1954. Desde meu primeiro ano de vida, na casa da rua Almirante Alvim, do velho Desembargador Sálvio de Sá Gonzaga, teu Avô e meu Bisavô, me pegaste no colo aos teus 19 anos, do qual nunca mais sai.

Hoje fazes 85 anos e continuas muito vivo e presente na minha vida e na dos Incontáveis admiradores, conquistados neste percurso terrestre.

Helena Jobim, irmã do gênio Tom, escreveu um livro gordo intitulado:

Um homem iluminado. Peço licença aos dois para também te chamar com esta mesma adjetivação. Foste luz prateada na vida de muitos, de todas as cores, de todos os credos, de todos os bolsos, de todas as idades. Na minha foste luz dourada.

Como grande patriarca, o maior, reuniste, por incontáveis vezes, em encontros monumentais, a família Guilhon. Esse sobrenome une todos nós, apesar de nenhum dos Petrelli, dos Moritz, dos Pirajá Martins, dos Mello Mosimann, dos Mello Viana o terem no registro de nascimento.

Hoje faz 39 dias que o 61-98114-8855 está em silêncio. Saudades dos teus barulhos. Eram 5 chamadas por dia para me dizer:  A bonequinha está boa? Respondia sempre vibrante: Marietinha estou ótima. E continuavas: te espero hoje, às 19:45h, depois da fisioterapia para uma tranca.

Jogarão o The King com Maria do Carmo (a tua mulher) com os patos Ivam e Mônica (minha mulher). Tinhas dois patinhos amarelos de plástico que fazias soar a cada noite, para comemorar as vitórias, que no último ano foram de 139 a 51.

Lembranças felizes das nossas inúmeras viagens, como naquela que a tua calça caiu, no barco em Budapeste, dançando de rosto colado, quando fostes aplaudido por 30 Coreanos de Chicago.

A do guardanapo de linho, que colocastes no meu blazer, no restaurante de Paris.

E aquela outra, dos 4 comprimidos de diurético que puseste no copo da Lelinha, tua sogra, no navio em Dubrovinick. E a do hotel de Santiago, nós dois na king size, nos teus 80 anos, rodeados por todos os filhos em êxtase total.

O envio da famosa coroa de hortênsias num velório concorrido da cidade e minha foto colocada por ti num túmulo do Itacorubi da família jamais serão esquecidos.

Em nossas caminhadas na Brava, levavas dois celulares, um em cada mão, e conseguias conversar comigo e mais duas pessoas ao mesmo tempo.

Nossa história de amor, certamente, não é desta vida. Voltamos juntos em tempos distintos de chegada. Um veio antes e preparou o terreno, o outro aguardava no plano superior a oportunidade do reencontro.

Na Terra o tempo passou e chegou o momento de reatar os laços. Não dá para saber quem amava mais.

Isso não importa, mas foi lindo e ainda acompanha essa trajetória. Parecíamos duas crianças, dois moleques. Adultos nos permitiamos a retomar a mais bela infância. O tempo não existe.

Fui teu pai, teu filho, teu irmão e sem absoluta modéstia teu melhor amigo na essência. Orgulho-me de ter convivido contigo nesses meus 65 anos. Para tua evolução não posso te chamar de volta. As melhores lembranças permitirão que sigas adiante. Nos reencontraremos. Dança uma valsa com Dircéia. Te amo muito. Fica em paz.

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