Meio ambiente e o paradoxo da pandemia

Este Dia Mundial do Meio Ambiente, primeiro desde a Covid-19, é histórico. A pandemia veio desvelar, de maneira implacável, o grau de interdependência entre a saúde humana e a saúde do planeta. A expressão ‘One Health’ – ou Saúde Única – nunca foi tão eloquente para nos convencer de que, para a garantia da saúde da humanidade, é necessário assegurar a saúde do planeta.

Não é de hoje que a Ciência vem alertando que as ações antrópicas, especialmente a expansão do desmatamento e a pressão sobre os animais silvestres, acabariam formando verdadeiros laboratórios naturais de doenças. A nossa maior heresia talvez tenha sido desacreditar que os efeitos poderiam ser tão nefastos quanto os demonstrados até agora pelo Coronavírus.

A situação se agrava por outros efeitos do mesmo problema, como a crise hídrica, resultante do desflorestamento e do uso desmedido dos recursos naturais, ao que se soma, ainda, a séria deficiência de saneamento básico no Brasil, com destaque muito triste para o Estado de Santa Catarina, que, no ranking nacional de tratamento de esgoto, ocupa uma das piores posições (fontes: SNIS e Trata Brasil).

A grande ironia disso tudo é constatar que a pandemia ameaça a própria atividade econômica, e que a recessão pode trazer consigo o premente risco de flexibilização das normas ambientais. Iludidos pela expectativa de rápido restabelecimento da ‘velha’ normalidade e do consumo, por certo, isso significaria o afrouxamento irreversível das políticas de proteção do meio ambiente.

Não se questiona a importância inegável da economia para a sobrevivência humana e para a própria superação da epidemia. Mas a Covid-19 nos aponta a fundamentalidade da observância das leis da natureza e o perigo da flexibilização das normas ambientais. Sem meio ambiente equilibrado, não há água nem saúde; não há atividade industrial, agrícola ou comercial. Enfim, inviabiliza-se tudo aquilo que, nós humanos, reputamos essencial.

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