Mulher na Academia Catarinense de Letras

No dia 12 de Março aconteceu a abertura do Ano Acadêmico e das comemorações do Centenário da Academia Catarinense de Letras. Dias antes o mundo celebrava o Dia Internacional da Mulher.

Aproveito a passagem das duas datas evocativas para deambular por centenários caminhos e reverenciar o espírito visionário dos pioneiros da Academia Catarinense de Letras que, nos idos 1927, elegeram e deram posse a uma mulher, reconhecendo o inegável espaço feminino na sociedade catarinense.

Num tempo em que a mulher brasileira lutava por seus direitos, por ser voz e se fazer ouvir, num Estado conservador como Santa Catarina e uma sociedade insular fechada como Florianópolis, a Academia Catarinense de Letras, então presidida por José Boiteux, abriu suas portas para receber Maura de Senna Pereira (1904–1991), jornalista, professora e poeta, na Cadeira 38, com apenas 26 anos de idade, considerada a maior expressão feminina da poesia catarinense.

Talento reconhecido, brilhante jornalista, mulher destemida e corajosa rompeu as barreiras conservadoras da sociedade da época. Dona de uma personalidade forte, inquieta, guerreira, Maura de Senna Pereira, a primeira mulher na Academia Catarinense de Letras – “ a minha vaidade tímida de ser a primeira mulher que vem sonhar convosco, o deslumbramento do vosso sonho.”

Pioneira na América Latina e a primeira mulher no Brasil a tomar posse numa Academia de Letras. (meio século depois Rachel de Queiroz entrava na ABL, a Casa de Machado de Assis).

Nas décadas seguintes, mais mulheres atravessaram os umbrais da Casa José Boiteux: a professora poeta Delminda da Silveira de Souza (1854-1932), na Cadeira 10, em 1927; a tubaronense Casthorina Lobo de S.Thiago (1884-1974). Grande educadora, jornalista, poeta tomou posse na Cadeira 10 (vaga com a morte de Delminda); em 1968 a advogada, jornalista e poeta Sylvia Amélia Carneiro Cunha (1914-2012), assume a Cadeira 26.

Em 1991, foram eleitas a advogada, professora e poeta Leatrice Moellmann Pagani (1925-2019) para a Cadeira 7 e a romancista e cronista Urda Alice Klueger na Cadeira 2. Tão somente em novembro de 2013 eu tomei posse, a sétima mulher, ocupando a Cadeira 26. Completa o grupo de Mulheres Acadêmicas, a professora e escritora Maria Tereza de Queiroz Piacentini, titular da Cadeira 21.

A presença da Mulher na Academia Catarinense de Letras é ainda pequena se considerarmos que nestes 100 anos ingressaram na ACL 160 homens e apenas 8 mulheres. O espaço feminino na ACL foi conquistado por uma Mulher de fibra, Maura de Senna Pereira, há 94 anos, que soube ser voz altaneira no seu tempo. A porta continua aberta…

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