Mulheres, cuidado!

O feminicídio de uma magistrada na frente das filhas fez o Supremo Tribunal de Federal – STF, entre tantos outros órgãos do judiciário “acordarem” para um câncer que mata de forma contínua, mas por vezes é ignorado por boa parte da sociedade.

Não custa lembrar o que um magistrado paulista disse em audiência há poucos dias: “”Se tem lei Maria da Penha contra a mãe, eu não tô nem aí. Uma coisa eu aprendi na vida de juiz: ninguém agride ninguém de graça”.

Este tipo de pensamento é apenas um dos quais incentiva estas tragédias familiares. A imensa maioria das pessoas não é a favor da violência contra os animais, porém, causa indignação presenciar vários casos de comoção virtual e presencial quando tratam de um bichinho de estimação que sofre maus tratos, mas perceber que mulheres brutalmente assassinadas, homens cometendo suicídio em seguida, crianças ficando órfãs, tornou-se algo banalizado.

No território catarinense, no ano passado, foram registrados 58 feminicídios, sendo um recorde desde a criação da Lei nº 13.104/15, a qual configura este crime como uma qualificadora do homicídio. No corrente ano, já são 56 casos, restando poucas horas para o encerramento de mais um ano sangrento! Em 2019, inúmeros estados brasileiros registraram aumentos neste tipo de crime, sendo Santa Catarina, um deles.

Infelizmente, apesar da repercussão da morte da juíza carioca, na prática, poucas mudanças efetivas devem ocorrer, pois não se constata uma união de esforços na sociedade para enfrentar esta questão.

A pandemia não deve servir de justificativa para o aumento da violência, tampouco para a omissão de investimentos em políticas públicas de conscientização, prevenção e combate à violência doméstica e familiar.

Ademais, muitos órgãos que poderiam/deveriam assumir protagonismo, alterando este presente que dissolve famílias, optaram por ações políticas que não contribuem absolutamente em nada! Portanto, enquanto prosseguirmos com este modelo conservador, patriarcal, ignorando a educação que deve ser a base desta mudança, mulheres, cuidado!

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