Mulheres no Front

Das conquistas do #metoo nos EUA, passando pelos movimentos políticos e civis em 2019 na África e no Oriente Médio; com as chilenas e o movimento “Violador Eres Tu”; na Belarus, com protestos liderados pela candidata Svetlana Tikhanovskaya contra o ditador Aleksandr Lukashenko em 2020, chegamos há um ano à crise global diferenciada, decorrente da Covid-19.

E nesta quadra de frequentes desacertos governamentais, é preciso destacar que dos 12 países com o melhor desempenho no enfrentamento da pandemia, nove são dirigidos por mulheres.

No Brasil representamos 80% da mão de obra que atende à saúde da população: enfermeiras, médicas, trabalhadoras de limpeza e conservação; somos também cuidadoras, cozinheiras.

Na crise cresceram contra nós os índices de desemprego e o esgotamento mental e físico decorrente dos cuidados com casa e filhos. E a violência contra a mulher quase dobrou. Seguimos buscando formas alternativas de ganho e defendendo os nossos visando à retomada de nossas vidas quando passar a crise.

Fato é que o caminhar das mulheres por direitos e espaço é irreversível. E 2021 está aí a indicar: Kamala Harris, mulher negra e filha de imigrantes, vice-presidente dos EUA; a nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala, primeira mulher diretora-geral da OMC; no Brasil, houve acréscimo de mulheres eleitas no último pleito; importantes instituições da sociedade organizada, como a OAB, aprovaram a reforma em seu sistema eleitoral, destinando 50% dos cargos eletivos da entidade às mulheres.

Não é o desejável, evidentemente, num tempo em que a igualdade já deveria estar instalada como consequência natural das legislações e da demografia.

Os direitos humanos só serão plenos quando a mulher, em igualdade de oportunidades, tiver respeitada a sua individualidade, diversidade, liberdade, saúde mental e física e quando suas características próprias não sirvam de obstáculo para que ocupe com isonomia o seu lugar no mundo. Isto nasce de um esforço coletivo, sem competição entre gêneros.

Simone de Beauvoir afirmou que crises políticas, econômicas e religiosas reacendem o questionamento aos direitos das mulheres, e por isso, a vigilância será perene. E é nesta situação que ainda nos encontramos, no front. E o front precisa de todas e todos, para que possamos avançar.

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