No controle interno, amanhã tudo pode mudar

Crises são oportunidades de transformação. É o momento de traçar um caminho para mitigar os impactos negativos e potencializar os positivos. Fomos surpreendidos pela pandemia. Porém, em alguns países, as lideranças foram firmes no que se refere ao confinamento e redirecionamento dos recursos públicos para a área da Saúde.

Foi esse o caso do Governo de Santa Catarina – o que explica uma das menores taxas de mortalidade por Covid-19 do Brasil. No entanto, típico de toda crise, não sabemos a sequência dos acontecimentos. A economia vai estagnar ou crescer em 2020? Encontraremos a cura ou teremos que conviver com o vírus?

Nenhuma metodologia de gerenciamento de riscos é suficiente para excluir ou impedir um evento inesperado. Por isso, nunca é demais lembrar: sistemas de controle interno servem para orientar os gestores na identificação dos riscos (Compliance – segunda linha de defesa) e na avaliação posterior dos acontecimentos (auditoria interna – terceira linha de defesa). O controle não decide, ele orienta quem decide, que é quem assume os riscos de seguir ou não tais orientações preventivas.

Enquanto não inventam a cura do coronavírus ou uma metodologia de gestão de riscos que elimine eventos incertos, os sistemas de controle interno devem alertar o gestor na tomada de decisão, mostrando as consequências da sua escolha e proceder a responsabilização quando necessário. Não existe mágica.

Enquanto a atividade humana ensejar riscos, fundamentada está a necessidade de o sistema de controle interno existir. Diminuir o reconhecimento da sua eficiência pelas consequências dos eventos é descaracterizar a própria essência do controle, que nunca teve em sua natureza a missão de liquidar problemas ou equívocos.

Neste momento devemos resgatar a valorização dos responsáveis pelos controles. Esses profissionais não têm superpoderes, apenas entregam o melhor das estruturas com o olhar atento de ver o que ninguém viu. Mantermos essa racionalidade sobre atributos técnicos é essencial, especialmente porque a única garantia é que amanhã tudo pode mudar. Mas, sem os gerenciadores de riscos, não temos condições de saber o quanto a mudança impactará a nossa vida.

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