O caso do Acervo Julianelli

Em recente reportagem publicada neste jornal (13 e 14/03), contamos as peripécias do encontro e salvamento de filmes dos anos 1920-30 de José Julianelli.

Nela, precisa ser corrigida uma informação equivocada. Culpa nossa, com tanta história represada por contar, inundamos o jornalista Paulo Clóvis Schmitz de informações. Na procura de um destino seguro, cogitamos elaborar um projeto para a salvaguarda física e de conteúdo dos originais deste acervo.

Uma opção sugerida seria consultar o Instituto Moreira Salles, conhecido por apoiar iniciativas culturalmente relevantes, também na área do cinema, para avaliar o patrocínio técnico e financeiro. E obtermos talvez na via direta a garantia de preservação definitiva do acervo.

A pandemia abortou a iniciativa antes de algum resultado concreto. Assim, diferente do que se entendeu na entrevista, o Instituto não chegou a ser consultado.

Como todos podem imaginar, bem que nos aliviaria da responsabilidade de guarda destes originais encontrar este destino seguro. Tendo esperado 40 anos para encontrá-lo, talvez se possa compreender nossa pressa. Quem esperou tanto espera mais um pouco. Não é o certo a fazer, mas é o que pode ser feito.

Este relato nos leva a refletir sobre o sentido dos acontecimentos que envolvem os filmes de Julianelli, para além do favor da sorte que neste caso operou pró-memória catarinense.

Assim andamos nós que cultuamos os valores da memória cultural que nos distingue. Se até aqui vem sendo assim, como será o pós-pandemia? Se até hoje a cultura como componente básico dentre os valores da sociedade não conseguiu audiência dos gestores públicos, obterá maior atenção neste futuro que esperamos chegue logo?

Muitos se animaram diante do relato do salvamento do acervo, entendendo que podem e devem dar mesmo mais atenção aos atos e realizações que vão se movendo no interior da cidadania, às crenças nestes valores de muitas pessoas, para além de interesses imediatos.

Quantos como nós, em silêncio, cumprem sua trajetória de soma em favor da permanência dos valores da arte, da beleza, do espírito, da fé, da dignidade de seu trabalho, sem terem um olhar de atenção que os enalteçam? No meio desta pandemia, nosso convite é para que muitos façam como vêm fazendo os jornalistas da cultura e como faz o jornal Noticias do Dia.

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