O compromisso de não ser igual

Falar de inclusão é quebrar paradigmas, é mudar de perspectiva; é construir uma sociedade apta a receber, compreender, aceitar e atender as diferenças inerentes à diversidade humana, assegurando, em especial às pessoas com deficiência, condições para que possam se desenvolver com dignidade e respeito às suas singularidades.

Nos dizeres da pedagoga Maria Teresa Mantoan, inclusão “é a nossa capacidade de entender e reconhecer o outro e, assim, ter o privilégio de conviver e compartilhar com pessoas diferentes de nós.”

Para poder usufruir deste privilégio, é necessário desconstruir alguns preconceitos com conhecimento e informação. Conhecer as pessoas com autismo para compreender que cada pessoa é dotada de características próprias que a tornam única.

Naioki Higashida escreveu em 2007, à época com 13 anos de idade, o livro “O que me faz pular”, no qual, por meio de perguntas e respostas, narra, em primeira pessoa, sua experiência enquanto um adolescente autista. Em um dos questionamentos respondidos na obra, Naioki fala sobre o “ser normal”:

“Eu achava que a melhor coisa que poderia acontecer na minha vida era ser igual aos outros. Mas agora, mesmo que criem um remédio para curar o autismo, acho que vou querer continuar do jeito que sou. Como eu mudei de ideia e passei a pensar assim? Em poucas palavras, aprendi que cada ser humano, com ou sem deficiências, precisa se esforçar para fazer o melhor possível e, ao lutar para conseguir a felicidade, ele a alcança. Veja bem, para nós o autismo é normal, então não temos como saber o que os outros chamam de ‘normal’. Porém, a partir do momento em que aprendemos a nos amar, não sei bem se faz diferença termos autismo ou não”.

Com esse objetivo e entendendo que a responsabilidade e a necessidade de promover esta mudança de perspectiva é de todos, o Ministério Público de Santa Catarina lançou a campanha “As entrelinhas do autismo”, por meio da qual pretende levar informação à população, familiares, profissionais da rede de ensino e Promotores de Justiça sobre o Transtorno do Espectro Autista.

A campanha, embalada pela música “O cubo” da banda catarinense Dazaranha, almeja que todas as pessoas autistas possam se orgulhar de quem são e serem respeitadas e estimadas socialmente.

* Escreveu também o Promotor de Justiça João Luiz de Carvalho Botega e coordenador do Centro de Apoio Operacional da Infância e Juventude (CIJ) do MPSC

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