O último voo do meu amigo Mário

Ele nos deixou nestes tempos de Pandemia – 22-04-2020 – com a certeza de todos os que o conheceram bem: foi da terra ao céu, sem escala. Mário José Gonzaga Petrelli tinha 84 anos, deixa a 2ª. esposa Monica Buffara e cinco filhos já adultos – Leonardo, Marcelo, Mário José, Luciana e Rosimar.

Recuperava-se em casa – Florianópolis – de cirurgia para implante de uma prótese no joelho, passou mal, foi hospitalizado, teve uma parada cardíaca e voou embora sem se despedir da família e dos muitos amigos.

Falamo-nos por telefone várias vezes durante o período em que teve de se manter em casa. Lembrava um tigre enjaulado! Pensava comigo o quanto era difícil para ele suportar a imobilidade doméstica.

Sonhava em viver pelo menos até 2022. Queria, por certo, participar e influenciar uma derradeira eleição presidencial. Foi dos poucos beneméritos autênticos que conheci ao longo da vida, nunca o vi alardeando o bem que fazia. Foi também dos maiores e melhores empreendedores que eu conheci na vida !

No seguro, por exemplo, participou, em alguns casos como protagonista e em outros como colaborador entusiasmado, de praticamente todos os movimentos estratégicos do setor nas décadas de 70, 80 e 90 do século XX – a difusão da cultura do seguro, a massificação, a expansão do seguro saúde, a modernização da previdência privada e da capitalização.

E o mais importante: foi ele que despertou no sistema bancário brasileiro o apetite e o gosto pelo seguro. Contribuiu de modo decisivo para a quebra do monopólio do resseguro (1995, com regulamentação em 2007).

Sua marca nas comunicações é a do empresário obstinado, que não se deixou abater por inúmeros reveses até consolidar, com participação efetiva dos filhos Leonardo e Marcelo, a sua rede de emissoras de rádio e televisão no Paraná e Santa Catarina, hoje o segundo grupo de Comunicação regional do Brasil.

Em 2010, por insistência dele, hospedei-me em sua casa em Florianópolis durante a permanência a trabalho de dois meses em Santa Catarina.

Em sua ausência, cansei de atender os telefones da casa que quase não paravam de tocar: eram pessoas do mundo da política à procura de Mário Petrelli para se aconselhar .

Meu último contato pessoal com ele ocorreu em janeiro de 2018: havíamos marcado em sua casa uma reunião com seus dois filhos, Leonardo e Marcelo, para falarmos do futuro da informação.

Estávamos nos primórdios da campanha que elegeria Jair Bolsonaro naquele ano… Sugeri na conversa, informal, que João Dória seria um candidato mais competitivo que Geraldo Alckmin e ele fechou a cara. Um de seus filhos iniciou a frase “É, João dória…”.

Mário Petrelli fuzilou: “Se vocês quiserem me respeitar, não pronunciem o nome dessa pessoa em minha casa !” Morreria dois anos e quatro meses depois sem perdoar o governador de SP por ter traído Geraldo Alckmin, o seu amigo e candidato!

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