Penas não recuperam vidas

Evidente que o crime revolta à sociedade, notadamente àqueles que envolvem violência e morte. Contudo, o recrudescimento da legislação criminal em diversas áreas na última década ao invés de produzir o esperado efeito de reduzir a prática de certos delitos, quanto mais se reprimiu via legislação e decisões condenatórias, mais aumentou o número de casos.

Feminicídio, infelizmente, é um exemplo. Não se discorda que há que se punir sim esses delitos com rigor. Mas melhor seria evitá-los, não é mesmo? Eis que a vida da vítima uma vez ceifada, não volta!

A medicina legal e as estatísticas comprovam que a maioria absoluta de delitos que envolvam casais ocorrem na fase crítica de abalo emocional, muitas vezes de ambos, naquele intermeio entre o “vai e não volta” natural em diversos relacionamentos. Não se trata de justificar as agressões, mas de traçar um mapa de como elas ocorrem e buscar meio de impedir que ocorram.

Assim, uma abordagem de saúde pública, para evitar esses delitos antes que ocorram, deve ser mais incentivada que apenas a atuação pós-catástrofe via Juízo Criminal e consectários.

Técnicas terapêuticas como as constelações familiares tem resultado em muitos juízos que delas se utilizam amplitudes recordes de acordos entre casais em crise, são índices mais difíceis de enxergar, mas que numa análise acurada representam vidas salvas.

Um incremento em políticas públicas para atender famílias em início de crises, com assistentes sociais, psicólogos e psiquiatras, somado a um incentivo de respeito à liberdade individual, “de” e independente “do” gênero, já desde os bancos escolares é o que, a longo prazo, irá diminuir feminicídios e demais crimes de agressões contra toda e qualquer pessoa.

Fica a dica para prefeitos e governo do Estado, já criaram o “alô saúde”, que tal o “alô família”? Com profissionais treinados no outro lado para ouvir as angústias das pessoas e trabalhar os seus sentimentos para se evitar os gatilhos mentais da psicopatia, ou ao menos identificá-la e tratá-la?

Sim, custa caro ao erário, mas mais barato que pagar promotor para acusar (muitas vezes com auxílio de defensor público ou advogado nomeado, também pagos pelo erário), advogado nomeado ou Defensor para defender, e três refeições por dia por anos em presídios ao agressor. O mais importante: não há pena nem valor que recuperem vidas mortas e famílias destruídas após a catástrofe realizada!

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